quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pequeno conto #1

Se alguém olhasse para Felipe naquele momento diria que ele devia estar concentrado em algo muito importante, pois estava de pé, sem se mexer a algum tempo, com o rosto virado para o horizonte no templo no alto do morro.
Porém na verdade estava apenas olhando algumas borboletas voando logo a frente, sim ele tinha muitos problemas ultimamente, mas já tinha decidido o que iria fazer e não queria mais pensar no assunto para não cair em tentação de dessistir de tudo. O que ele queria agora era um pouco de paz de espirito para encarar o que vinha pela frente, e nisso as singelas borboletas estavam lhe ajudando.
De repente abaixou a cabeça, e falou em meio a um suspiro:
- Lá vamos nós então...
Felipe era, bem, diferente, não que fosse covarde, mas muitas vezes para ele viver no seu mundinho de imaginação lhe parecia melhor do que um possível fracasso no mundo real.
Não tinha inimgos, mas também não tinha amigos de verdade, enquanto descia o morro a pé ficava pensando em todos aqueles que haviam passado por sua vida, como eram e como estavam. Sempre havia evitado ter relações muito íntimas, pois o medo de um dia elas acabarem lhe parecia pior do que nunca tê-las. Mas agora, ah agora, ele bem que gostaria ter escolhido nunca ter conhecido aquela garota. O nome dela? Cris.
Após subir no onibus e pegar seu lugar habitual, ali, logo ao lado da roleta, sentava do lado do corredor para evitar que alguém sentasse ao seu lado, artimanhas que se aprende quando se passa uma vida andando de transporte público. Ele começou a pensar o que nela o atraía dequele jeito. Sim ela era bonita, inteligente, simpatica, ou seja cheia de qualidades, mas ele conhecia várias garotas com esse perfil, o certo é que nunca encontrou a resposta para isso.
No momento em que desceu do ônibus seu coração disparou e aquele medo que sempre o controlou parecia crescer insuportavelmente, mas seguiu em frente sabia que se pensasse em desistir e parasse por um segundo que fosse acabaria desistindo completamente. Lembrou do que seus amigos disseram quando lhes contou o que sentia e das conversas que já havia tido com Cris, a sua maioria pela internet.
- Cara, tá na cara que ela ta afim de ti, só tá te faltando atitude.
E junto com essa vieram exclamações bem semelhantes, mas mesmo assim não se sentia seguro, afinal seus amigos eram dados a gozação.
Chegou ao lugar do encontro quase tremendo, era uma bomboniére no centro da cidade. Sentou-se e tentou se acalmar, respirou profundamente, quase rezando para que seus amigos estivessem falando sério e que tivessem razão.
Algum tempo depois ela chegou, para Felipe parecia que todo o ambiente havia se iluminado. Ela sentou, conversaram um pouco, até que ela perguntou:
- Ãh, tu tinha me dito que queria me falar algo hoje, o que era?
Rodrigo era do tipo que olhava nos olhos quando conversa, em situações normais em um momento assim ele desviaria o olhar e desconversaria, mas por mais que tentasse isso se tornou ímpossivel naquele momento.
Meio sem jeito ele segurou a mão de Cris por sobre a mesa, deu um pequeno suspiro, quase imperceptível, e começou a falar:
- Bem... é que... nem sei como dizer...
Parou por um momento como se estivesse escolhendo as palavras, então abriu a boca para falar novamente:
- Sabe eu acho que te amo...
Rodrigo ficou olhando para Cris, suas palavras acabaram, a frase que tanto pensou em dizer foi dita, aquilo que tanto o aguniou, e por tanto tempo, ficou surpreso em como aquilo podia ser simples de ser feito. Após isso a única coisa que conseguiu pensar em falar foi:
- Eu também acho que te amo Cris.
Mas não falou, palavras agora eram desnecessárias.
Bem, o resto é história.

Material do Esdrúxulo Recanto.

3 comentários ébrios:

SO.L. disse...

Só eu sei como me pertubou ler isso.
Ai, ai, ai.

Menos disse...

Há algo com os nomes...

Marconi disse...

Só foram trocados de um blog para o outro...