quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dissolvendo o tempo

Mato o tempo com o ócio. Corroendo lentamente o tédio com comprimidos de paracetamol. Ócio dói, dentro do crânio.

E quem desejaria um bom pote de desejos nessas horas?

Duas moedas grandes cada, não são feitas devoluções nem vendemos fiado.

Um dia eu estava assistindo um filme, lembrei de fazer café. Fiz café, mas o filme ficou apenas desejando. Um "bom dia" dito pelas beiradas. Um "olá" pela metade. Um abraço pela tangente. Intangível.

Meu tempo rola, um segundo de cada vez, em porções de minutos. De horas. De dias. De meses. Anos. O quanto durar. Acaba-se o pote de inclinações, cessam-se os graus. Coloca-se um novo pote e enche-se de novo.

Tempo é areia. Não se engole, se pisa. Mas penetra pelo calçado, adere à pele, entra na roupa, na boca, nos olhos. Enche os pulmões até não podermos respirar.

O tempo não é solúvel. Nós que somos solúveis em tempo.

Solvente e intangível.

Ah, quem dera dissolvê-lo em pó de arroz e distribuir àquelas modelos e atrizes baratas de nosso dia-a-dia. Jogar ao vento, deixar o tempo provar do próprio veneno.

Quem dera.

1 comentários ébrios:

SO.L. disse...

Ah, sim.

Quem dera.

- arrasou, nêga! -