sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Remaura-te, ou viva

Era madrugada de 31 de dezembro, Pietro estava acordado. Estava sem café já fazia alguns dias, afinal, a maldita cafeteira estragou novamente.
Ele lia, ouvia e via. Lia Jabor [o Arnaldo]. Ouvia Cunha [o Éverton]. E via Casanova [o de Fellini]. Tudo o fazia pensar o que não era, onde não estava, a época a qual não pertencia. Assim como foi todo o ano que se passara, algo havia se perdido em um passado não tão distante, que mesmo ainda sendo o mesmo, já não o era. O mundo colorido, por opção era cinza, e por algo ainda inexplicável, estava preto e branco.
Não, não são as infinitas possibilidades existentes entre essas duas cores [ou não cores] que lhe tingiam a vista, era apenas o vazio e o cheio, o tudo e o nada, o mais escuro preto, e o mais cintilante branco.
E era pior do que a morte.
Subitamente, pois diferente não poderia ser, aconteceu. A Epifania. Pietro, este Pietro, estava acostumado com epifanias, elas faziam parte da sua vida desde sempre. Mas esta, era estranha, tudo pareceu se encaixar, o universo fazia sentido. As linhas, os sons, as imagens, tudo isso fazia um ballet de significados tão presentes e tão distintos que nada estava acima ou abaixo deles.
Foi sensação mais maravilhosa do mundo, sublime, egocêntrica, megalomaniaca, simples e bela.
Foi ao jardim, olhou as estrelas, pensou:
"Que grande merda, já foi tarde sua porcaria de ano. Boa noite estrelas, adorei sua companhia."
E voltou a ler Jabor, ouvir Cunha e ver Casanova, e tudo agora fazia sentido.

2 comentários ébrios:

SO.L. disse...

É, eu vi Casanova também. Achei que só eu estava acordada aquela hora vendo filme do dia 30 pro 31.

E esse "Remaura-te"? Tu só me lisonjeia, minha flor da Groelândia.

Marconi disse...

Ora minha cara, foi uma relez usurpação de expressão. Mas fico feliz que tenha lisonjeado-lhe-a.

Também estava vendo o filme? Como acaba? eu não vi o final.

Há algo mais, mas não aqui.