sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Insista


(Fabrício Carpinejar)


Sempre insista. Fale mais do que seja possível pensar. Insista. Temos que ter a capacidade de superar as resistências. Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista. Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante. Comece a rir sozinha.

Rir é receber a pergunta: “do que você está rindo?”. Rir é ser perguntado. Não há motivo para rir, rir é se abraçar.

Minha risada é meu gemido público. Acordar me deixa excitado.

Talvez aquela amiga não queira namorá-lo pra não estragar a amizade. Portanto hoje diga: quero estragar nossa amizade. Estragar de jeito. Arruinar nossa amizade. Corromper nossa amizade.

Estrague fundo, o amor pode estar recolhido nela. Mas não aceite tão rápido o que ela não acredita. É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído,porque a verdade,quando surge, toma atitudes impensadas, como comer algodão-doce nesta terça feira diante de uma escola de normalistas. Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca. Deus é uma freira dirigindo um fusca.

Não se explique, insista. Eu não vou ficar esperando alguém em salvar. Eu mesmo me salvo. Eu mesmo me arrumo para a loucura.

Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca. Caso tenha prometido ir atrás dele, vá. Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa. Volte atrás, não queira pensar com os olhos, a boca são os olhos mais atentos.

Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso. Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista. Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, snetar no meio fio e falar aramaico. Todo homem guardado uma hora fala aramaico. Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto.

A vida mete medo quando ela não é formalidade, não temos como nos defender do que parte dos dentes. Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo, deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar.

Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão.

Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista. Na sala do dentista, no trem, no ônibus,no elevador. Insista. O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade. Não há nada tímido que não tenho sido estranho um dia. Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro, com a colega. Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por empréstimo. Ame devendo. Ame falindo.

Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos reais em nossas dores.

Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Velhas gírias...

Eu me sinto velho quando escuto essas gírias novas e acho a coisa mais idiota do mundo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Os críticos dos críticos

A voz do povo é a voz de Deus. Será?

Com o advento de novos meios do propagação de informação na internet, ser crítico ficou fácil. Atualmente os vlogs estão em alta, e com eles formadores de opinião de diversos campos.
Desde arte, música, cinema, até comportamento, política, mídia. Estão jogando verdades e mentiras na sua cara pra ver se tu engole tudo sem ter tempo de questionar. Entretanto, isso é percebido, e então se cria os críticos dos críticos.

Estes críticos fazem exatamente o mesmo que os outros, jogam verdades e mentiras a respeito das opiniões alheias com suas próprias opiniões. Então existe a guerra.

Basta gastar alguns minutos no twitter por exemplo. A onda do "CALA BOCA", obra prima dos críticos dos críticos, é a voz do povo [?] perante algo que os indigna. Mas... indigna mesmo? Ou melhor, deveria indignar?

Assim aconteceu com o Stallone. Exagerou na dose falando do Brasil e levou um shut up regado a caipirinha. Agora, exagerou mesmo, ou simplismente colocou o dedo na ferida, ou os dois? É como dizem, se não entendem a ironia, quem passa por idiota é tu. No próximo filme que ele vier fazer, torçamos para ele explodir, sei lá, Varginha, ninguém mais lembra de lá mesmo.

Muita gente se esqueceu [ou nunca aprendeu] a ler uma notícia imparcialmente, e então criar a sua própria opinião a respeito disso. Ou vai dizer que tu não gosta de acessar aquele site que enche de ironia e humor suas reportagens? Vai dizer que tu não morre de rir ou espuma de raiva quando vê algum vlogger por aí falando sobre algum assunto que tu tem interesse?

Os críticos, e seus críticos, estão aí, te enchendo de informações, valores, desvalores, gostos e contragostos. E você, vai conseguir te achar no meio disso tudo?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Dueto.

[Vai postar algo hoje, Mauro?]
É provável...
[Dicas do Tio Marconi?]
Não, talvez amanhã.
[O que tu tá fazendo?]
Desenhando, não percebeu? ... Eu-lírico distraído você.
[Eu sei que está desenhando, só queria entender o motivo desta imagem estar incompleta.]
Ela não está incompleta, ela é assim mesmo.
[Hum, então isso me faz pensar...]
... Em quê?
[No motivo de ti ter escolhido essa imagem.]
Motivo?
[É. Tu sempre desenha por algum motivo, nunca é àtoa.]
Hum... Bem, eu queria estrear os lápis de cor, e simpatizei com essa foto. Foi isso.
[Não, não foi só isso.]
Como assim?
[Olhe a foto. Não há olhos nela, você sempre começa pelos olhos, eles escondem a alma, desenhando eles com exatidão, o resto do desenho flui naturalmente para você.]
...
[E olhe mais, tem um reflexo da guria na foto, em que também não aparece os olhos, mas o reflexo você não pintou.]
Iria demorar demais.
[E quando foi que tu começou a se importar com o tempo gasto nos teus desenhos?]
...
[Era a resposta que eu imaginava.]
Explique você tudo isso então.
[Vejamos, você não a conhece pessoalmente, conhece?]
Não, mas o que isso tem a ver?
[Tudo. Nos teus outros desenhos, você já tinha ao menos visto pessoalmente a quem você desenhava. Sem isso, é impossível até mesmo de adivinhar a essência de uma pessoa. E sem isso, qualquer olhar que você desenhasse seria falso, superficial. Por isso usou uma foto sem olhar.]
É... Faz sentido. Mas e quanto ao reflexo, sabichão?
[Representa a dualidade, a união com um outro ser dentro de si mesmo. E você ama isso. Mas apesar disso, não desenhou, pelo mesmo motivo dos olhos. Não necessariamente na essência dela existe tal dualidade, tal inconsciente manifesto. Novamente seria artificial.]
Aiai, eu-lírico filosófico na madrugada, eu mereço.
[... Vai ficar com o desenho?]
Nunca fico.
[Vai fazer o que com ele?]
Acho que entregar... Um dia... Nem eu sei...
[É, faz sentido...]
... acabou o café.
[Então boa-noite. Fui.]
... É... Boa noite...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Entrevistas

Esta é a primeira de um série de netrevistas que pretendemos fazer com nossos amigos/contatos/whatever pra animar e fazer as pessoas se entregarem.

Mas isso não funcionou com o Mauro, como vocês conferem logo abaixo. O rapaz continua sagaz.


­Frodo diz:
[14:39:22] ­cê tá aí, manolo?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:39:37] ­estou, estou
[14:40:50] ­Durante mais 20 min
­Frodo diz:
[14:41:11] ­começar agora?
[14:41:15] ­quem é vc?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:41:51] ­Eu sou o Mauro.
[14:41:57] ­[Eu acho]
­Frodo diz:
[14:42:03] ­quantos outonos?
[14:42:20] ­(primavera é meio gay e tal.)
[14:42:30] ­café ou chopp?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:42:35] ­21 e contando
[14:42:41] ­Café forever
­Frodo diz:
[14:42:45] ­pra vestir?
[14:42:48] ­pra ouvir?
[14:42:57] ­ o que tu nunca ouviria/cantaria?
[14:43:21] ­um filósofo?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:44:24] ­Jeans, camiseta escura. [roupa do Seu Madruga]
[14:44:57] ­Tudo o que agrade aos ouvidos. [Curtindo Presley ultimamente]
[14:45:22] ­Já ouvi e não gostei, coloridos da web.
­Frodo diz:
[14:45:25] ­pra comer?
[14:45:37] ­orientação sexual?
[14:45:58] ­um sonho?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:46:08] ­Filósofos autênticos já tá de bom tamanho, imitadores aparecem às pencas por aí.
[14:46:20] ­Comida.
[14:46:40] ­Vai pela aquela avenida ali que o sexo é certo.
­Frodo diz:
[14:47:04] ­(avenida Caxias, em São Leopoldo, claro)
[14:47:20] ­uma mulher tem que ter?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:47:34] ­Sonhos são utópicos e românticos. Logo, quero utopias e romances
­Frodo diz:
[14:47:53] ­um clichê verdadeiro?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:48:04] ­David Coimbra, se ela conseguir rir sem achar tudo machismo, é bom sinal
[14:48:15] ­O que é clichê mesmo?
­Frodo diz:
[14:48:34] ­seje hômi.
[14:48:40] TRÔ ou eletro?
[14:48:43] ­(rá)
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:49:00] ­TRÔ forever, como se não soubesse.
­Frodo diz:
[14:49:06] ­se fosse pra uma ilha deserta, levaria o q?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:49:34] ­Um livro: "como construir uma jangada, para iniciantes."
­Frodo diz:
[14:49:49] ­solidão ou multidão?
[14:49:58] ­ praia,serra, ou um cabaret?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:50:16] ­Solidão na multidão.
­Frodo diz:
[14:50:18] ­uma pessoa legal?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:50:33] ­Um cabaret na serra.
­Frodo diz:
[14:50:36] ­fé em Deus e pé na tábua ou pé em Deus e fé na tábua?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:51:12] ­Legal? Ih, tem várias por aí...
­Frodo diz:
[14:51:12] ­uma verdade inconveniente sobre ti?
[14:51:34] ­uma coisa que não precisamos saber sobre ti?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:52:01] ­Fé em algo que pode ser chamado de Deus, e fé na realidade.
[14:52:44] ­Ah, lembranças indiscretas de amigos em alguns casos são inconvenientes
­Frodo diz:
[14:52:57] ­(isso não foi pessoal, eu espero)
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:53:04] ­Eu tenho um dente de leite.
[14:53:13] ­(não foi)
­Frodo diz:
[14:53:27] ­o que tu faria por algo/alguém?
[14:53:55] ­algo diferente, que mudasse tua vida
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:54:07] ­Dependendo, tudo. Menos fio terra.
­Frodo diz:
[14:54:22] ­tens algum amigo gay?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:54:45] ­Minha vida mudaria se eu achasse muuuuito dinheiro na rua
­Frodo diz:
[14:54:57] ­algum sonho juvenil que o mundo te fez abandonar?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:55:02] ­Tenho sim, fazendo Letras isso se torna quase a regra.
­Frodo diz:
[14:55:11] ­uma grande decepção?
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:55:30] ­Que o primeiro amor era pra dar certo.
[14:55:39] ­O primeiro amor que deu errado.
­Frodo diz:
[14:56:07] ­uma frase pra fechar a entrevista
­Mauro... Cut it out... diz:
[14:56:30] ­"A franqueza não consiste em dizer tudo o que se pensa, mas em pensar tudo o que se diz." (Victor Hugo)
[14:56:51] ­(Agora vou indo, mas volto já)
­Frodo diz:
[14:57:12] ­terminamos aqui.
[14:57:19] ­ agora a bola fica contigo.
[14:57:25] ­ tu entrevista a próxima pessoa.

sábado, 31 de julho de 2010

Desfragmentar-se

São 6h da manhã, e eu não durmi ainda.
Normal, afinal trabalho até de madrugada, e logo o sol de sábado aparece no céu.

Sabe aqueles momentos de procura por si mesmos? Sabe, quando alguém fala que precisa se encontrar, que já não tem a mesma capacidade para algo como tinha antes, que se sente despedaçado, que sente falta de certa característica em si mesmo que era algo tão forte antes?
Eu chamo isso de fragmentar-se. Talvez haja realmente um nome para isso, mas eu chamei assim depois da teoria a seguir:

Em algum momento da vida e seus estágios, nós mudamos psicologicamente, na verdade em vários momentos com pequenas mudanças. Mas em um momento específico [que talvez não ocorra com todos] acontece a fragmentação. O ato de mudar drasticamente a si mesmo, despedaçando a personalidade e características pessoais.
Motivos variam, e meios de ocorrer também. Como não vou ficar enchendo de exemplos aqui vou falar de mim [Sim, conheço casos assim, mas sou egocêntrico o bastante pra falar do meu].
Eu acho [repito ACHO] que por ter sido uma criança introspectiva, tímida, e blá blá blá e sempre ter me saído bem acima da média na escola/curso/whatever, eu me fragmentei para me adaptar. Não foi nada consciente.

Imagine uma bergamota/tangerina/mexerica/whatever, essa é sua personalidade, fragmentar-se seria desmontar os gomos e espalhar por aí, ficando com um pouco para si, para a sobrevivência.
E aí você segue a vida, num outro nível, num outro ritmo, num outro contexto. Você evolui, cria outras características, alcança aquilo que desejava [ou não].
Entretanto, eis que chega o momento em que aquilo que você espalhou te faz falta. Logicamente que o que você tenta fazer é rejuntar os restos antigos e tentar voltar a se sentir completo, se sentir você mesmo. Mas acontece que não é tão simples assim [pelo menos para mim não].
Toda a vez que eu chegava perto de me sentir realmente completo tudo se esfarelava de novo. Até hoje [bem, ontem na verdade], veio a solução até mim, veio a pé, e me trouxe uma epifania de brinde. Eu entendi que de alguma forma existia uma sequência que eu deveria seguir para trazer cada um dos meus gominhos de volta. E eu sempre errava. Mas agora, mesmo sem saber qual era a sequência, sei que acertei. Senti tudo melhorando, tudo fazendo sentido a algum tempo, estava colocando pontos em "i's" deixados para trás faz tempo.

Fui no centro fazer algo que me faz feliz, pegar meu salário. Resolvi comprar os lápis de cores que tanto falava para fazer retratos coloridos a tanto prometidos, recomprei canecas de café [as antigas foram devidamente quebradas pelo meu irmão]. Fui embora. Estava na parada, olho em volta, quando estou terminando de olhar meu cérebro faz uma ligação com um dos rostos pelo qual passei.
Vi, era ela, ela me olhou, voltou a olhar o caminho, me olhou de novo, entortou a cabeça com um olhar surpresso, e me reconheceu [é, barba e cabelo comprido podem ter essa reação em antigos conhecidos].
Fomos amigos, e posso dizer que ela foi uma paixão platônica [numa época em que uma guria poderia se aconchegar no meu ombro e ficar segurando minha mão que eu ainda ficava tremendamente inseguro] [épocas de bobalhão inexperiente, utópico] [mega facepalm] e se algum dia tive alguma chance com ela [vai saber] o passado nunca dirá.
Conversamos um tempo, na verdade, mais ficamos nos olhando [nos olhos, seus... seus...] e sorrindo, gratos pela breve companhia compartilhada brevemente. Enfim, o ônibus dela chegou.

Tcharam, o último gominho, esse encontro, essa conversa [fiada], a troca de olhar. Não sei explicar, mas pareci me sentir simplismente eu de novo, não o eu complicado que eu mesmo era...
[Rindo dessa frase esdrúxula.]

Pode parecer ridículo, idiota, tolice, qualquer coisa. Mas de alguma forma é verdade.

--
Bem, se você leu até aqui, obrigado, se não, pena, vai perder o que eu vou falar das novidades.

Sim, novidades. Por minha parte pelo menos, os outros podem vir aqui quando quiserem, e escreverem quando quiserem, sempre foi assim e não vai mudar [nem deve], a frequência é do gosto de cada um. Enfim, renovado como estou, a tag Tio Marconi vai ser quizenal, e pretendo colocar mais duas postagens por quizena pelo menos, isso e mais os desenho que vou começar a fazer para deorar as paredes do pub e do twitter. A vida ainda continua corrida, mas dormir deixa de ser necessário quando você sabe relaxar de outras maneiras.

sábado, 24 de julho de 2010

...

A alguns anos atrás, alguém me roubou algo de suma importância.
E só notei isso agora.

Que lástima.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tempo



O tempo é minha inspiração.
Ele e suas consequências;
Ele e suas decisões;
Ele e seus jogos;
Ele e suas mudanças;
Ele e suas curas;
Ele e suas mágoas;
Ele e seu destino;

E se esse destino é mutável,
então eu vou mudá-lo.
Se não, tudo vai ficar como está, e morrerei sorrindo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Coloridos



Deixando bem claro, eu muitas vezes faço o comentário errado na hora errada. Não é algo que eu premedite, simplismente acontece. É algo que se tornou natural, pelo simples motivo que eu gostar de ver a reação das pessoas quando suas ideologias são contrariadas, mas que nem por isso quer dizer que eu não respeite a opinião de cada um.


Agora, o que dizer sobre essa geração colorida crescendo por aí?
É uma tribo sem ideologia e sem contexto.

Ou talvez eu pense demais na época em que cresci e nas pessoas com quem convivi. Quando uma pessoa tinha um estilo diferente, um visual fora do padrão, um comportamento alternativo àquele ditado pela sociedade, junto com isso vinha todo um discurso. Fosse a respeito de religião, política, literatura, filosofia, antropologia etc.
E é isso que me irrita nessa geração colorida. Primeiro começaram a se vestir como crianças, depois a demonstrar um QE também de crianças [de no máximo uns 7/8 anos], evitam conflitos, não colocam a boca no mundo por assuntos realmente significativos ["vô xingá muinto no tuíter!!!"], acham que todos devem ser liberais e ainda sonham com um mundo e uma vida utópica.

Estaria eu errado em criticar os pais destas criaturas?
Ao meu ver, os pais, sempre viram essas tribos da minha época com preconceito, preconceito esse que gerou discriminação. Daí, logicamente, eles é que não iam querer que seus filhos virassem uns revoltados/anarquistas/punks/desordeiros, então preferiram manter os seus filhos alienados, despreparados para a realidade do mundo. Mas todo jovem mais cedo, ou mais tarde, muda. E eles mudaram. Mudaram para isso que são, e pararam nisso, não evoluiram, mas por que?
Ora, os seus pais observaram essa mudança, e não viram aquele perfil agressivo e questionador o qual eles tanto temiam, então decidiram não ir contra esse novo perfil. E foi isso que faltou, o conflito necessário para que essa geração evoluísse seu pensamento, buscasse informações, contextos, histórias.




Se esse arco-íris vai durar muito tempo eu não sei, só sei que eu vou é continuar no meu mundo em preto e branco. Te garanto que meus tons de cinza são muito mais expressivos e ácidos que essas cores gritantes a lá Tiririca.

sábado, 3 de julho de 2010

Relaxar

E depois pensar em postar algo.