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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Melodia

Pego a caneta e bato no papel em branco na minha frente.

"Mando o foda-se?
Faz tempo que tem gente pedindo por isso, pedindo para receber umas verdades na cara, um tapa da sociedade.
Mas eu estou com sono.
Sim, sim, eu sei, e o sono suga o principal da raiva e da energia necessária para fazê-la funcionar, é uma pena.
É?
É sim.
Nem tanto.
Verdade.
Do que queria falar?
De gente que não aceita que as coisas não funcionem da forma que eles esperam.
Mas não sou assim também?
Sou, mas apenas em parte. Trabalho na lei da reciprocidade, se dou algo, espero receber algo equivalente em retorno.
Nem sempre isso acontece.
Eu sei, tento aprender a conviver com isso.
Eu também.
Mas então?
Então? Então que me cansa que esperem coisas que não posso fazer e nem ao menos me dão algo, ou a promessa de algo, em primeiro lugar.
Ou seja, faça isso porque eu pedi. É isso?
Basicamente.
Não é uma atitude muito inteligente.
Na verdade é. Só depende de quem é o alvo dessa atitude. Este tipo de comportamento pouco ou nenhum efeito tem em mim.
Já teve.
E com o tempo aprendi a reconhecê-lo e evitá-lo.
Ele e tantos outros.
E o que mais?
Tudo.
Amplo demais.
A mente não possui limites.
Ah, sim, possui.
Podem ser quebrados.
Como?
Da forma correta.
E qual a forma correta?
Tudo ao seu tempo.
... e isso foi a resposta ou um adiamento?
Ambos."

E afasto a caneta do papel, já preenchido por alguns riscos negros. Onde três mascarás sem expressões ficarão por sua breve eternidade.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que já morreu não pode ser morto

Então é madrugada novamente, sem café. Entretanto há Vivaldi.
Há também grandes problemas com pessoas ao redor, sempre há.
E há lembranças. Das boas, das neutras, das arrasadoras... pois não há lembrança que seja ruim de verdade.
Há aquela boa lembrança de quando um dia um venerável mestre me ensinou que meus olhos podiam mostrar bem mais do que a mascará que eu pousava sobre eles, quando se olha com atenção.
Passa de relance aquela fagulha neutra de memória de pessoas que se autodestruíam enquanto eu, mas não apenas eu, lhes estendia a mão. De alguma forma é sempre tarde demais para elas.
E então, dançando ao ritmo da melodia ela vem, linda, magnífica, fazendo tremer a mais prepotente das mentes. Ela vem e entre um sorriso luminoso me pergunta como tenho passado.

Os olhos se fecham na esperança fútil de tudo acabar. Um dia funcionou, ou quase isso.
Mas ela cobra sacrifícios, desde que nasceu [sob outras músicas não tão belas], e veio cobrá-los novamente.
E então algo queimou.
Não queimou forte, não criou muita luz, fraquejou e quase sumiu.
E em cada lado do par de olhos que se fechou, um se abriu. Desumanos, cansados, furiosos e famintos.
Olham entre si, esperando.
E os primeiros olhos se abrem, ainda humanos, como um pedido de desculpas.
Ela sussurra que já era tarde. Passa o olhar para os outros olhos, vê o brilho deles, sente o calor ainda fraco que emana deles e some.
E do eco da escuridão ela canta a sua própria melodia, como lembrança e aviso, que aquela sombra a ela pertence.

E um corpo prestes a cair é levantado por seus próprios demônios, e seus rosnados perduram através da eternidade no florescer de uma nova rosa.


domingo, 26 de agosto de 2012

A Chama e a Chuva


Sento no escuro, escuto a chuva cair lá fora.
Acendo meu isqueiro para ver sua pequena chama crescer em meio ao breu e iluminar o meio sorriso estampado no meu rosto.
E pensar, meu nobre isqueiro, que você será uma eterna lembrança de uma conquista que cheguei a imaginar intangível, inalcançável.
E tu, meu caro sorriso, que pela metade é sempre o mais sincero, lembrando de tudo e todos que tentaram te fazer sumir. Te abre um mínimo e por teus lábios escorre um fio de ar, trazendo novamente a escuridão ao meu redor.
A escuridão e o som da chuva. Tão belas, tão tristes. Magníficas em seus significados, em suas memórias tão belas e tristes quanto si mesmas. Aliás, por serem assim trazem consigo essas lembranças ou são as lembranças que te fazem serem assim?
Afinal, e mais importante, isso importa? Não, claro que não, é simplesmente assim.
Lembro de quando me desafiaram. De cada momento em que isso aconteceu, e de cada resposta que dei. Lembro das respostas ainda pendentes. Lembro do medo nos olhos de alguns, da coragem nos olhos de tantos, e da prepotência nos olhos de muitos.
Lembro das tolices, e da alegria vã.
Lembro dos saberes, e da tristeza infundada.
Lembro da decepção, e de como me deixei abalar inutilmente.
Lembro da esperança, e dos erros que ela traz consigo.
Lembro dos sabores, das cores, dos toques, e recordo que tudo é importante, na mesma proporção que nada é importante.
Ainda desejo tantas vinganças.
Acendo meu isqueiro, dou uma piscadela, e meu sorriso se abre anda mais.
Ainda desejo tão bem a quem nem sabe.
Aquela velha frase, que em algum lugar li [ou ouvi, não que isso importe], volta à memória, tão simples, tão fatal.
Já morri e nasci, tanto e tanto, era assim que vivia, eterna renovação, eterna mudança, tão pequenas, tão singelas, tão completas. Eternos zeros, eternos erros, eternos acertos.
Derrotei a imaginação, e a recriei. Tentei e errei, e isso, apenas isso me derrubou. Meus erros, dos teus eu sempre me livrei facilmente, recordas?
Já fui poeta, mas não faço poesia.
Já fui artista, mas minha arte nunca foi arte realmente.
Já fui amado, mas amor não existe.
Já amei. Oras, e quem nunca foi tolo?
Te apago, amigo isqueiro, e teu cheiro se mistura ao som da chuva e ao negrume dessa sala.
Eu tentei, meu bem, não eu, mas um outro eu que já morreu.
Morreu, morri, pois aquela simples frase sempre foi fatal, mesmo quando eu não a conhecia.
Afinal... não final... não há final além do ponto final.

domingo, 27 de maio de 2012

Rosas, pela Torre

Conhecimento Delirante.

Tempo... Tempo, tempo, tempo, tempo...
TEMPO, maldição, o tempo.

Com as rosas e com a Torre um ciclo se fechou, claro como o futuro em uma poça d'água, e um novo se abriu. Mas novos ciclos são complicados, pois nunca se sabe o que se esperar deles, e qual o melhor modo de os começar.
De nada adianta olhar para aqueles belos anos em que outrora havia felicidade. Novos ciclos são egoístas, querem liberdade, querem amor de verdade. Novos ciclos, famintos de fé, famintos de ouro e de pão. Famintos de DOR.
É como criar um título para uma história sem início, meio e fim.

Ele sobe na torre e para na frente de uma porta com seu nome escrito, e ele não quer atravessá-la. O caminho é longo demais, e a chegada final é breve demais. Não há recompensa final, a não ser a poeira nos seus pés surrados, o cabelo desfeito pelo vento e o rosto surrado pelo sol.
Depois de muito andar o corpo clama pelo descanso merecido, mas ele não existe, o caminho segue, ele volta ao princípio e o homem de preto continua.
Palavras, momentos. Vento e tempo. Olhar, sussurrar.

Palavras pequenas e um grande momento, assim foi o princípio dos tempos, assim é o princípio de todos os tempos e de todos os momentos, todos os ciclos e todas as vidas.
Vá ciclo, gire, que gire a roda, que rode o ka, que vire a maçaneta, e que abra a porta para um sem fim de caminhar.
Que venha a dor, venha meu amor, cansei de ser feliz.

domingo, 20 de maio de 2012

E o mundo fica sem mais um Gibb

Não vou me prolongar, Bee Gees sempre fui uma das minhas bandas favoritas. Sempre foi A minha banda favorita.
Poderia facilmente fazer um texto imenso sobre tudo o que eles foram, sobre as décadas de sucesso e premiações que nenhuma outra banda alcançou. Poderia, mas não vou. Hoje morreu Robin Gibb, ele já estava mal fazia alguns anos, cancelou até seus shows aqui no Brasil em 2010 [show esse que eu já tinha comprado o ingresso].

É um dia triste para várias gerações. É um dia triste para a história da música, pois os Bee Gees influenciaram muito mais bandas e artistas por aí do que a maioria imagina.
So, stay alive.








quarta-feira, 28 de março de 2012

E a vida segue, vai e volta na roda do ka

Preciso de um texto pra falar de mim, e então acabar de vez com essa palhaçada de uso de linguagem para fazer isso. Não que seja ruim, mas é aprisionante.

A pergunta que bate na cabeça não é "o que falar", mas sim "por onde começar?". Afinal, muita coisa tem acontecido desde a última vez que escrevi algo honestamente aqui. Convenhamos, sou do tipo ótimo de mentiroso que sempre fala a verdade.

Comece do princípio, fala alguma voz. Mas o caso é que nem sei exatamente qual dos princípios ela se refere.
Como já falei em alguns textos, eu estava vazio. A casca daquilo que um dia tentei ser, e sem recheio algum. Talvez eu mesmo tenha procurado me tornar assim na expectativa da vida se tornar mais branda.
Sonho tolo. Quem uma vez experimenta o azedo do conhecimento, nunca mais consegue votar a ser o que era.

Nesse tempo vazio conheci muita gente interessante. Amei, ah se amei. Amo ainda, pois é assim que é.
Aliás, começo por aí, simples e direto. Meus três melhores dias até hoje foram os que passei no Rio de Janeiro [morram conterrâneos gaúchos que me chamam de traidor por isso] do lado da guria mais encantadora que já conheci. A senhorita Paula Borges. E não, não estamos mais juntos. Pois distância é uma droga que mata mais rapidamente que o ar, e torna pequenos problemas em grandes bolas de neve. É da vida, mas amo essa moça, de quem tive que me distanciar para aguentar a carência e a falta que eu estava sentindo.

Estando eu morrendo de carência e "vazio", como disse anteriormente, tive um outro caso. Que durou seis meses, mas sinceramente, se tornou um decepção. Sério, qualquer amizade ou relacionamento comigo deve ser baseado na confiança. A partir do momento em que alguém começa a mentir e enganar, se torna uma decepção.
Quem vive demais no seu próprio mundinho, perde tudo o que os outros tem a oferecer. Regra fundamental.

Aliás, abrindo um pequeno parentese, hoje me veio um bom pensamento, vamos ver se consigo reproduzi-lo bem aqui.
Não há um limite para o pensamento humano. Pois sempre há variáveis e conhecimentos que podemos aprender. O único limitador está em aceitar de onde esse conhecimento vem. Aí está a verdadeira humildade.
Alguém humilde não é aquele que se rebaixa e não admite suas qualidades de forma plena, mas naquele que reconhece que há algo para aprender em tudo, até na mais esdruxula das coisas, na menor das ações, no mais desprezível ser-humano. Sim há sempre algo a aprender, se estivermos dispostos a olhar e escutar de onde quer que venha o conhecimento.

Voltando a mim, nas últimas semanas algo ótimo está acontecendo. De alguma forma aquele vazio está se preenchendo. Tenho vários eu-líricos, e os sinto voltando depois de um longo tempo solitário. Sinto a imaginação fluir em formas diversas. Sinto ânimo em sentar e escrever um texto enorme, ou fazer um dos meus retratos à lápis.
Vai ver é o tal ano do Dragão, trazendo o bom e o ruim e doses absurdamente megalomaníacas.

Estou lendo mais, conhecendo mais gente, reconhecendo quem por algum motivo me afastei.
Ainda não me aproximei de todos que quero me reaproximar, às vezes a tarefa se torna mais complicada. Preciso estar pronto.

Aprendi a viver sozinho, aprendi a viver por fora. Tive uma infância fodida, tive um pai de bosta. Me preenchi de uma arrogância oculta para sobreviver nesse mundo, me cobri com uma soberba que achava justa, e escalei na torre de orgulho que eu mesmo contruí. Tenho história e tenho defeitos. Se isso me torna feio por dentro, que seja. Serei o feio honesto que sempre fui. Não mudei para as pessoas que mais amei, não vou mudar por aquelas que nada mudam na minha vida.

Vou ali ouvir um blues, vou tomar um café e vou dormir. Vou sonhar e não vou lembrar. Vou seguir no mundo, vou criar mundos e talvez destruir alguns.
Vou ser mais simpático, vou ser mais carinhoso, vou ser mais duro, vou ser mais cruel, vou ser mais protetor, vou ser tudo o mais e tudo o menos. Pois isso não é mudar, é se adaptar.
Vou lá viver a vida, onde quer que ela esteja.

domingo, 25 de março de 2012

Hoje.


Hoje eu vi uma estrela cadente.
Hoje eu tive uma enorme intuição.
Hoje eu falei com Cronus.
Hoje eu falei de mim.
Hoje eu curti a noite.
Hoje eu libertei a mente.
Hoje eu matei o acaso.
Hoje eu driblei o destino.
Hoje eu fechei o livro e marquei a página.
Hoje eu afaguei o cachorro e espantei as galinhas.
Hoje eu escrevi um conto e sonhei outros mil.
Hoje eu dei adeus à um passado que não se tornará história.
Hoje eu deixei o jornal de lado e li as notícias na poeira.
Hoje eu rodei o mundo.
Hoje eu deixei o dia acabar como um dia qualquer, pois é isso que ele foi.

terça-feira, 20 de março de 2012

E então me perguntam sobre o que é esse blog.

E então me perguntam sobre o que é esse blog.

Esse blog, de certa forma, é o livro da minha vida.
E o que por acaso foi apagado daqui está no Recanto. Mas fora isso, cada texto, cada história, cada frase que eu coloquei aqui está impregnada da minha vida. Por vezes até tento evitar isso, e tudo o que escrevo vira uma bela porcaria. E de qualquer modo, sempre escapa algo pelas entrelinhas.

Aquela velha máxima "minha vida é um livro aberto', bem, no meu caso é um blog aberto. O que não quer dizer que alguém vá entender tudo, aliás, melhor que nem entenda.
Daí chegamos no presente em que eu estava desviando a mim mesmo de diversas coisas chatas, para não falar a respeito delas.
Então lembrei de algo, aliás reli algo.

"É perda de tempo culpar as pessoas por suas naturezas."

Então, que se foda. Minha natureza por vezes é chata, por vezes super-protetora, por vezes dinâmica. É sempre prepotente e arrogante [no sentido orgulhoso de ser]. Eu sei que sou assim e sei até onde consigo controlar isso.
Aprendi a me adaptar de muito murro que levei da vida. Aprendi a ver com os olhos dos outros e a aprendi a confiar na minha intuição.
Como diria De Lhandes: "Minha habilidade reside no fato de eu saber somar dois mais dois bem melhor do que eles. Ou, para ser mais preciso, sou capaz de somar um e meio a um e dois terços de tal forma que o resultado seja dez". [Shibumi, Trevanian]
Isso é prepotência e arrogância, mas está longe de ser mentira. Sim, às vezes uma incógnita da equação passa desapercebida por mais tempo, mas nada que não se revele no final.

Pessoas idiotas mentem pra mim porque acham que precisam disso, ou para se sentir espertas. Fazer o que?
Dessa gente só tenho um tipo de sentimento, pena. Dois, na verdade, pois também há o desprezo.
"Mas seu Mauro, tu está falando a respeito, então não está desprezando."
E então eu rio quando alguém pensa isso. Pois a vida é assim, não interessa teu sentimento ou a falta deles por alguém, volta e meia a pessoa aparece na tua frente e tu tem que saber lidar com isso, aliás, os dois tem que saberem lidar.

Agora é tarde e eu vou trabalhar. Melhor, pois não quero um post gigante hoje. Só dar um pequeno parágrafo para pensamentos voantes.

sexta-feira, 16 de março de 2012

A Torre, a Roda e o retorno


Estava com o livro que continha a culminação da história que a tanto estava acompanhando, que a tanto começou a fazer parte de sua vida.
O final o surpreendeu, o surpreendeu desesperadamente. Mas era o único final possível, era o único correto. E então ele enfileirou aquele livro ao lado dos seus antecessores, sete livros e uma história que precisava ser lida.

A maioria dos escritores conhece a sensação de necessitar contar alguma história, algo que realmente precisa ser feito. Assim foi com Stephen King, ao menos é o que ele mesmo declara em sua saga, entretanto esta é a primeira vez que sinto o inverso. Não uma história que precisa ser contada, mas uma que precisava ser lida.

A Torre Negra sempre me chamou, aquele livro se oferecendo tão belamente, até o dia em que comecei a devora-lo. Alias, todos os sete. Eu precisava lê-los tanto quanto King precisava escreve-los. Alguma ligação entre os dois fatos? Improvável, mas não impossível.

A Torre me ajudou a compreender algo, novamente. O ka é uma roda. É uma eterna renovação, um esquecer e lembrar ininterrupto. É deixar de ser e de existir, para então se reencontrar e reviver.
É como começar do zero, vez após outra. Não, zero não. Pois alcançar a Torre tem a sua recompensa. Cada vez que a vida se renova há algo nela que muda, algo que de alguma forma causa o diferente, algo que tínhamos e não vai embora com o novo ciclo. E por isso, apesar do vai e vem, vida e morte, a vida é bela. Há renovação.

Precisei ler A Torre Negra, pois era como mais um dos meus ciclos terminava. Precisei ir até depois de quando o próprio King diz que devemos parar, precisei subir até o topo juntamente com Roland de Gilead. Não me arrependo, mas concordo com o escritor, não leia até o fim, provavelmente ficar sem conhece-lo será melhor.
Ciclo cumprido, roda girada, recomeço. Acordaram em mim as lembranças que há muito estavam esquecidas, talvez seja essa a recompensa da vez, ou talvez seja outra que ainda não reconheci.

Só a algo a fazer, continuar em frente, pelo deserto, novamente em busca do ka. Novamente em busca da Torre Negra, pois o homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.
Longos dias e belas noites.

Haverá água se Deus quiser.














quarta-feira, 7 de março de 2012

A estupidez de vidas ralas

Sinceramente, criar confusão é fácil.
Faltar com respeito é ainda mais fácil.
Estupidamente fácil é magoar os outros.

Eu poderia, com um estalar de dedos contra o teclado, tanto criar confusão, como faltar com respeito, ou até magoar. E mais, poderia incitar à raiva, à guerra.
Entretanto, sinceramente, esse tipinho de gente que dá [ou deu] abertura para que eu faça isso me dá pena.
Gente que ainda não aprendeu a ter respeito por si próprios, o que esperar para as outras pessoas?
O mundo é cheio de altos e baixos, amores e desamores, e ainda assim tem gente que acha que escondendo tudo com segredos e mentiras o mundo será mais fácil.

Aquele tipo de gente que reclama por ser tratada de certa forma, mas não vê problema em tratar ao próximo da mesma forma.
Sejamos francos? São BURROS.
Claro, claro, jogar isso na cara deles não adianta muito. Ou tentam rebater com um argumento esdrúxulo, ou se calam e te olham como se o que tu tivesse falando não fizesse sentido.



Evitar é arte. Do not give any fuck is a pure art, be like a sir.
Post parêntese fechado, poeira dos pés sacudida, e pessoas lamentáveis ao passado, sigamos para a programação normal.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Velhuscos, ah, meus velhos.



Velhuscos são aqueles caras (ou aquelas) que passam pela tua vida e te ensinam algo. Claro, muito gente ensina algo, porém aqui eu me refiro à aqueles que nada ganham em troca.
São aqueles que não são teus parentes, ou professores, ou algo do gênero.
Velhuscos são aqueles que apenas estão seguindo sua vida, e por um momento ou outro, ela se cruza com a tua. E nesse infimo momento, ele te ensina algo que tu vai levar para o resto dos teus dias.
Velhuscos ensinam, com palavras belas e sábias, por exemplos sem a intenção de ser. Só ensinam, pois são velhuscos.

Velhuscos são raros, não se engane. Aquilo que um velhusco ensina é um conhecimento solene, e não apenas um modismo da era.
Velhuscos te fazem aprender mais sobre ética, moral e humanismo do que qualquer outro professor. Não, nada daquele falso moralismo, aquilo bonitinho de se ouvir e nunca colocado em prática. Um velhusco realmente ensina sobre a vida, com as limitações que a própria vida trás.

Velhuscos podem ser chatos, podem ser legais, podem ser velhos, ou nem tanto.
Tu nunca vai esquecer um velhusco, nunca vai deixar de sentir o que ele te ensinar.

Dois velhuscos, tive eu. Um se foi no tempo, outro se foi na vida.
Velhuscos são sempre ótimos, não há como serem diferentes.
Meus velhuscos, que saudades. Me deram base e nunca foram isso, pois velhuscos não devem ser.
Velhuscos vão em frente, sempre. Velhuscos apontam e sussurram, sorriem e seguem o caminho.
Velhuscos te seguram ao correr, e te empurram ao parar.

Velhuscos, ah, meus velhos.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Enquanto isso uma lhama de chapéu diz:

Well, this guy walked in... so I went up to him... and I, uh, I stabbed him 37 times in the chest.

[Bem, esse cara entrou... então eu fui até ele... e eu, ãh, eu esfaqueei ele 37 vezes no peito.]


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre cordeiros e leões

"And when they seek to oppress you
And when they try to destroy you,
Rise and Rise again and again
Like The Phoenix from the ashes
Until the Lambs have become Lions
and the Rule of Darkness is no more"
Maitreya

Levante-se logo seu cordeiro burro, e pare de brincar na relva.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Words ao léo

I Wanna be your crazy one.
Chaos, give me strength.

Ok, vamos começar a pintar...
seja pobre mas não seja burro
Na minha opinião, a televisão valida a existência.
Internet: a vitamina e o câncer da modernidade.
É melhor ter a bunda suja ou um caráter imundo?
you only see me when I'm high...
Dói como flauta, como vinho, mata aos poucos, devagarinho, fingindo que me faz bem.
What is love?
Quando tudo tá ruim, alguma coisa tem que melhorar. Nem que seja o tempo.
é esse o país que estamos vivendo!!!!!
"Não há lasanha 4 queijos que não possa virar 5 queijos!"
E isso é tudo de importante na vida.


E não, não tem que fazer sentido se eu não quiser.

domingo, 7 de agosto de 2011

Um ano


"Daniel

Estou aqui bebendo vinho e pensando no quanto tu é importante pra minha vida. A tua presença que me acalma, apaixona e ilumina, é a coisa que eu mais tenho valorizado nos últimos doze meses. Tu é o rascunho de felicidade mais parecido com uma pintura de verdade que eu já vi nessas galerias da vida. Nem os cigarros, muito menos as festas, me presentearam com cores tão vivas como as tuas, que alegram meus dias tristes, cinzas e ocupados.


Amor da minha vida, um dos meus maiores desejos como mulher é que, quando tivermos nossa casa e nossos filhos, eles tenham a mais absoluta certeza de que seus pais sempre se amaram. Certeza essa que eu nunca tive a alegria de ter.

Eu não imagino quando nem onde, apenas imploro que demore muitos anos para acontecer, pois quando chegar o dia em que eu irei te perder vou iniciar um luto eterno.

Te amo acima de qualquer coisa, beijos da tua 'pequeninha'.

Adri


Oito de Agosto de dois mil e onze."

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Diálogo dia logo

Nada bem.

Nada bem aqui também.

Um dia.

Uma noite.

Nada bem. Já errei demais.

Eu quero acertar

Eu também.

Se tu descobrir como acerta, me avisa, tô sem saber como é.

Olha, esse negócio de viver dá muito trabalho, e eu ainda tento ser feliz?

Complicado isso, eu sei.

Eu amei tanto.

Pois é.

E nada resolveu.

Amor não basta.

Tem que ter algo a mais.

Pra tu não morrer da próxima vez, né?

É.

Mas é sempre preciso morrer um pouquinho por vez.

Me avisa, por favor.

O amor, o meu amor, foi como um acidente.

Batemos de frente e nada se restou.

Fim.

E no fim, eu morri, mais uma vez.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Pursuing happiness,
ou apenas andando ao léu.

.

Sentado no ônibus, olhando para as casas, pessoas, animais e vidas que ficavam para trás, juntamente com a paisagem, ele não pensava em como a vida é uma montanha russa.
Idas, vindas, tristezas, alegrias, tudo é passageiro, mas isso todos já sabemos, não?
Sentia-se feliz naquele instante, sem motivo, por que achar motivos para tanto? Basta apreciar o momento.

Não, nada de novo havia ocorrido, sem novos amores, sem novo emprego, sem ganhar na Mega. Nunca apostou, aliás. Não acreditem, mas nem beber este caro personagem bebeu. O vinho ainda estava fechado em casa, as outras bebidas também. O tão envolvente livro na sua cabeceira continuava lá, e a xicará de café vazia, sem ter sido preenchida aquele dia.

Desceu, andou pelas ruas semidesertas, com as lojas fechadas. Feriado é sempre assim. Não encontrou ninguém, mas sorriu a desconhecidos, e desconhecidos sorriam de volta. Nem sempre, mas sorriam.

Noites frias fazem as pessoas se tornarem mais calorosas.

Enfim, voltou, ainda sem café. Um dia bom. O sono. Boa noite.
Já ouvi isso antes, de forma tão diferetemente parecida. Ainda assim, boa noite.

As horas passam, o sono vai, o sono vem, Boa noite, já lhe disse.
Ainda não percebeu que o tempo brinca? Faz isso com o mesmo divertimento com o qual brinca com seus próprios cachos.
Beijos, boa noite, nos vemos... ...quando for o tempo.

Então dorme, com um sorriso feliz no rosto. Lembrando de risos que não deveria ouvir, e de olhos que queria olhar.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Absinto

Ela bebia absinto.
Não para se embriagar, nem para esquecer nada. Muito menos pelo gosto. 
Ela bebia absinto para conversar com as fadas verdes.

sábado, 16 de abril de 2011

O Sentido da vida.

Pode ser ensinado pelo vôo de uma joaninha verde.

E isso não é um bom sinal.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Daniela no Carnaval

David Coimbra



Daniela. Linda e reservada. Discreta. Queria namorar com ela. Estou falando em namorar, não em sexo casual, algumas noites de loucuras e prazeres inenarráveis. Compromisso, manja? Andar de mãos dadas pelo shopping. Cinema. Sorvete. Essas coisas.
Mas, claro, ela nunca havia me olhado duas vezes seguidas. Tinha lá um namorado. Dizia que gostava dele. Ele, lógico, era uma besta. Por que as mulheres bonitas e interessantes namoram bestas?

Bem, tudo ia normal, Daniela com sua besta, eu sozinho. Até chegar o Carnaval. Decidi ficar em Porto Alegre - ia trabalhar. À noite, fui assistir aos desfiles das escolas de samba. Fui apenas porque não tinha nada mais empolgante para fazer. Estava lá, meio entediado, pensando que talvez fosse melhor ter ficado em casa vendo Telecine Action, quando Daniela fez sua aparição. Foi isso que aconteceu - foi uma aparição. Ela estava no alto de um carro, era destaque da escola. Usava roupas sumárias, faiscantes, sambava equilibrada em um escarpim sem fim e abria os braços, como se saudasse o povo, os seus súditos. Era uma rainha. Isso que ela era: uma rainha.
Segui-a com os olhos, enfeitiçado. Ali, na arquibancada, decidi que precisava vê-la na dispersão. Não sabia bem o que ia fazer ou dizer, tinha vontade de me atirar aos pés dela, abraçar suas canelas macias e gritar, rouco de paixão:
- Minha rainha! Minha rainha!
Bem, talvez fizesse isso mesmo.

Rumei para a dispersão. Caminhava sofregamente, desviando das pessoas, batendo nelas, quase correndo. Cheguei lá, mas a princípio não a encontrei. Uma confusão de gente se pechando e rindo, as pessoas riem no Carnaval. Olhei, procurei, já estava desistindo, quando senti sua presença às minhas costas.
Virei-me, ansioso. Ela! Imponente. Soberana. Uma rainha. Abri a boca, ia falar algo, mas fiquei indeciso. Ela, ao contrário, deu um passo na minha direção. Ficou tão perto que eu podia sentir-lhe o cheiro doce do hidratante. Nívea, acho.
- Meu namorado viajou para Florianópolis - sussurrou ela, com uma voz tão meiga que me doeu o pâncreas. - Estou furiosa e quero companhia. Quer ser minha companhia hoje?
Não acreditei. Será possível? Será que fui lambido pela língua de fogo do Espírito Santo? Balbuciei:
- Arran - queria dizer algo mais inteligente do que arran, mas não consegui. Mesmo assim, ela entendeu:
- Então vamos.

Tomou-me a mão. Conduziu-me até o carro. No caminho, eu ia pensando: não é possível, vai acontecer algo, não tenho tanta sorte assim. Chegamos ao apartamento dela. Eu desconfiado, sentindo o coração bater no gogó.
Ela enfiou a chave na fechadura. Fiquei olhando a mãozinha girar a chave. Unhas redondas e curtas. Não gosto de mulher com unhas compridas. Uma volta para a esquerda. Duas. Ela sorriu para mim um sorriso de dentes pequenos. Bons dentes. Quem será seu dentista? Escolheu outra chave do chaveiro, uma maior, parecia uma daquelas espigas de milho nanicas, como eles fazem aquelas espigas? A porta se abriu com ruído. Ela sorriu de novo. Estava me viciando no sorriso dela.
Entramos.
- Vou buscar uma champanha - ela disse, armada com outro dos seus sorrisos perigosos.
Ofereci-me para abrir. Tive alguma dificuldade. É preciso ter polegares fortes para abrir champanhes. Consegui, afinal: POC!
Brindamos. Bebemos. Ela ficou bem perto de mim. Eu ofegava. Ela se aproximou mais. Mais.

Corta.
Não vou descrever todas as coisas maravilhosas que aconteceram naquele apartamento. Só revelo que acordei enrodilhado no corpo nu de Daniela e que essa é uma sensação que jamais esquecerei.

O Carnaval terminou e não encontrei Daniela outra vez. Dias depois, estava sentado no Lilliput, bebericando um chope cremoso com os amigos, e aconteceu. Lá vinha ela pela calçada. Estava com o namorado. O tal que tinha ido para Santa Catarina.
Caminhavam de mãos dadas. Mais do que mãos dadas, dedos entrelaçados. Prendi a respiração. Ela me viu. Veio na minha direção, puxando o namorado. Veio. Veio. A dois metros de mim, sorriu um sorriso arrancado do mesmo lote que me hipnotizou no Carnaval.
- Tudo bem? - cumprimentou-me.
- Tudo...

O namorado me olhou, desinteressado. Continuaram caminhando. Desapareceram na esquina da Padre Chagas. Compreendi que havia sido o instrumento da vingança de Daniela. Eu fora escolhido por ela para castigar o namorado.
Talvez devesse ficar feliz. Talvez. Mas, depois de conhecer Daniela, ter provado das delícias de estar com Daniela, como ia viver sem ela? Diga: como?