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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que já morreu não pode ser morto

Então é madrugada novamente, sem café. Entretanto há Vivaldi.
Há também grandes problemas com pessoas ao redor, sempre há.
E há lembranças. Das boas, das neutras, das arrasadoras... pois não há lembrança que seja ruim de verdade.
Há aquela boa lembrança de quando um dia um venerável mestre me ensinou que meus olhos podiam mostrar bem mais do que a mascará que eu pousava sobre eles, quando se olha com atenção.
Passa de relance aquela fagulha neutra de memória de pessoas que se autodestruíam enquanto eu, mas não apenas eu, lhes estendia a mão. De alguma forma é sempre tarde demais para elas.
E então, dançando ao ritmo da melodia ela vem, linda, magnífica, fazendo tremer a mais prepotente das mentes. Ela vem e entre um sorriso luminoso me pergunta como tenho passado.

Os olhos se fecham na esperança fútil de tudo acabar. Um dia funcionou, ou quase isso.
Mas ela cobra sacrifícios, desde que nasceu [sob outras músicas não tão belas], e veio cobrá-los novamente.
E então algo queimou.
Não queimou forte, não criou muita luz, fraquejou e quase sumiu.
E em cada lado do par de olhos que se fechou, um se abriu. Desumanos, cansados, furiosos e famintos.
Olham entre si, esperando.
E os primeiros olhos se abrem, ainda humanos, como um pedido de desculpas.
Ela sussurra que já era tarde. Passa o olhar para os outros olhos, vê o brilho deles, sente o calor ainda fraco que emana deles e some.
E do eco da escuridão ela canta a sua própria melodia, como lembrança e aviso, que aquela sombra a ela pertence.

E um corpo prestes a cair é levantado por seus próprios demônios, e seus rosnados perduram através da eternidade no florescer de uma nova rosa.


domingo, 26 de agosto de 2012

A Chama e a Chuva


Sento no escuro, escuto a chuva cair lá fora.
Acendo meu isqueiro para ver sua pequena chama crescer em meio ao breu e iluminar o meio sorriso estampado no meu rosto.
E pensar, meu nobre isqueiro, que você será uma eterna lembrança de uma conquista que cheguei a imaginar intangível, inalcançável.
E tu, meu caro sorriso, que pela metade é sempre o mais sincero, lembrando de tudo e todos que tentaram te fazer sumir. Te abre um mínimo e por teus lábios escorre um fio de ar, trazendo novamente a escuridão ao meu redor.
A escuridão e o som da chuva. Tão belas, tão tristes. Magníficas em seus significados, em suas memórias tão belas e tristes quanto si mesmas. Aliás, por serem assim trazem consigo essas lembranças ou são as lembranças que te fazem serem assim?
Afinal, e mais importante, isso importa? Não, claro que não, é simplesmente assim.
Lembro de quando me desafiaram. De cada momento em que isso aconteceu, e de cada resposta que dei. Lembro das respostas ainda pendentes. Lembro do medo nos olhos de alguns, da coragem nos olhos de tantos, e da prepotência nos olhos de muitos.
Lembro das tolices, e da alegria vã.
Lembro dos saberes, e da tristeza infundada.
Lembro da decepção, e de como me deixei abalar inutilmente.
Lembro da esperança, e dos erros que ela traz consigo.
Lembro dos sabores, das cores, dos toques, e recordo que tudo é importante, na mesma proporção que nada é importante.
Ainda desejo tantas vinganças.
Acendo meu isqueiro, dou uma piscadela, e meu sorriso se abre anda mais.
Ainda desejo tão bem a quem nem sabe.
Aquela velha frase, que em algum lugar li [ou ouvi, não que isso importe], volta à memória, tão simples, tão fatal.
Já morri e nasci, tanto e tanto, era assim que vivia, eterna renovação, eterna mudança, tão pequenas, tão singelas, tão completas. Eternos zeros, eternos erros, eternos acertos.
Derrotei a imaginação, e a recriei. Tentei e errei, e isso, apenas isso me derrubou. Meus erros, dos teus eu sempre me livrei facilmente, recordas?
Já fui poeta, mas não faço poesia.
Já fui artista, mas minha arte nunca foi arte realmente.
Já fui amado, mas amor não existe.
Já amei. Oras, e quem nunca foi tolo?
Te apago, amigo isqueiro, e teu cheiro se mistura ao som da chuva e ao negrume dessa sala.
Eu tentei, meu bem, não eu, mas um outro eu que já morreu.
Morreu, morri, pois aquela simples frase sempre foi fatal, mesmo quando eu não a conhecia.
Afinal... não final... não há final além do ponto final.

domingo, 18 de março de 2012

Apenas um conto de uma alma sem sono

Pietro, caído na lama.
Anônimos os levantam pelos braços, e ele olha em frente.
Por entre os cabelos sujos e molhados, ele vê a escuridão e o sorriso.
Ah, aquele sorriso louco, enebriante.
Olhares furiosos se cruzam, e a nova era começa.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Quando a arte existe apenas pela arte

Ele adentrou o pub, cumprimentou com acenos da cabeça alguns conhecidos e foi para o seu local de costume.
Era uma mesa em um dos cantos do pub, meio escondido, mas havia uma pequena janela ali. Era uma janela estreita, e mesmo ela parecia se esconder na parede, porém garantia uma boa visão do mundo lá fora.
Sentou-se ali apenas pelo simples prazer que aquele canto o trazia. Podia sentar-se com alguns conhecidos, poderia ter trazido alguns amigos, até mesmo alguns inimigos. Nunca se deve esquecer da importância de se manter inimigos. Entretanto, aquele lugar possuía alguma magia, ou pelo menos ele acreditava nisso.

Com um sinal pediu um café irlandês ao rapaz atrás do balcão. O café vinha em uma caneca alta, e o tempo estava frio. Perfeito, você poderia pensar, caso goste deste tipo de local e de bebida.
Largou uma folha em branco sobre a mesa e uma caneta. Ali, naquele local, a inspiração fluía facilmente.
Olhou para as nuvens, pela janela estreita, e lembrou do feixe. Pensou consigo mesmo se haveriam feixes verdadeiros em algum lugar nesse mundo, ou nesse quando.

Ficou lá durante meia hora, viu muito acontecer, fez algumas notas, mas nenhuma história realmente surgiu.
Pediu um outro café, preto, antes de partir.
Bebeu e olhou para o mundo ali dentro.
Dois casais, dois grupos de amigos, um rapaz aparentemente esperando alguém e uma moça bêbada saindo do  banheiro aos tropeços.
Qualquer coisa ali daria uma boa história.

O que lhe veio não foi uma inspiração. Talvez possa chamar de epifania. Mas o mais correto seria uma memória já desgastada.
Pegou a folha, aquela com as notas, e a rasgou.
- Agora morreu.
Pegou duas folhas em branco e as rasgou também. E então murmurou.
- Pois haverá vida após a morte? São papel, estão mortos. Mas com vocês crio vidas de mentira. E as rasgo, as mato. Agora lhes dou vida novamente.
Após esse pequeno rito começou a moldar os pequenos pedaços de papel. Não os havia rasgado de forma consciente, mas sabia que estavam rasgados da forma correta. Era o destino... bem, ele acreditava nisso ao menos.

Com os dois pedaços de uma folha em branco, fez dois gatos de origami. Com os da outra folha, uma rosa. Com os pedaços cheios de notas, várias estrelas.

Bebeu todo o café preto, levantou-se. Quando passou pela mesa do rapaz que esperava alguém, lhe jogou a rosa.
- Dê a ela.
Continuou em frente, sequer olhando a reação do rapaz. Ao se aproximar da moça bêbada ela quase caiu, ele a ajudou a se equilibrar e lhe deu os dois gatos. Ela olhou o presente e levantou o olhar para ele que ainda a fitava.
Então ela correu para a mesma mesa aonde ele estava a poucos momentos e começou a chorar. Ele mandou que lhe servissem um café e continuou a caminhar.
À um dos grupos de amigos ele jogou as estrelas. Todas repletas de histórias. Algumas incompletas, mas às vezes é o fato da história ser incompleta que a deixa cativante.

Pagou sua conta e saiu para o frio da noite. Olhou para as nuvens, agora jé em um céu iluminado apenas pela luz refletida na lua, e lá estava ele. O feixe não dorme. Caso ele exista, é claro.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Quando Cronos estapeia um mentiroso que fala a verdade



Feche os olhos e deixe o texto fluir, meu pequeno.
Não, sequer olhe o que está escrevendo, não vale a pena mesmo.
Mentiras mentiras, as tire da cabeça, o dragão sorri para você, pois ele te escolheu por honra ao teu nascimento. Jamais ouse esquecer isso, ele te queima e com seu fogo ele te purifica.
O mundo gira, não seja como aqueles que sempre voltam para o mesmo ponto, por vezes e vezes seguidas. Podem até mudar a perspectiva, mas seguem o mesmo erro sem sequer notar o que fazem.
Não, não, dragões não existem, não neste mundo.
Mas que outro mundo pode existir? Há, sim, rios de mistérios, e nada mais.
Não lhes diga que sim, não lhes diga que não, faça-os de bobos que legitimamente são.
Tu é o mentiroso escolhido por Cronos. Ah, sempre Cronos não?
E haveria algum motivo para assim não ser? Tantos fervorosos em crer ou descrer de algo. Ainda não aprenderam a viver na beleza da dúvida.
Seja o mentiroso que nasceu para ser, o melhor que pode ser.
Pois mentirosos não mentem.
Ah não, mentirosos não ocultam tampouco.
Mentirosos ludibriam, eles te enganam com verdades. Um mentiroso, apenas com verdades, cria infernos e paraísos. Cria mundos.
Mundos de mentira onde dragões existem. Mundos de verdade onde seu fogo lhe queima.
Mentirosos de meias verdades, meias mentiras, meias palavras.

Qualquer um sabe mentir, o mentiroso sabe criar. Um mentiroso cria conflitos. Mentiroso nunca erra, pois mesmo no erro, o erro vira alheio. Um mentiroso está sempre certo, pois se está errado, o outro está mais, e com ardil, ele nunca esteve. Um mentiroso confunde joga verdades e meia verdades e meias mentiras. Mas nunca mentiras pela metade.

Agora abra os olhos, meu gigante.
Veja a cidade lá embaixo e se deixe voar, cuspa o fogo de dentro do teu ser.
Viva esse mundo novo, crie ele a cada momento.
Crie a cada palavra, a cada mentira, a cada verdade.
DESTRUA!
Pois viva, morra e nasça. E novamente, num ciclo sem fim.
Nem fique vivo ou morto muito tempo, pois o dragão é também um grifo, e o grifo o equilíbrio.
Morte e vida, mentiras.
E acredite, tu precisava ler a isto tanto quanto eu o precisava escrever.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Tempo, o deus


Tudo não passou de um sonho, porém parecia tão real, era tão real, que verdadeiramente aconteceu.
O dia estava frio, e o rapaz acompanhava uma jovem até a sua casa. Nada demais, já fizera aquele caminho antes, e esperava ainda fazê-lo muitas vezes.

Cronus, porém, não estava satisfeito com esse desejo mundano do rapaz. E quando Cronus não está satisfeito, corra, apenas corra, antes que o tempo consiga  alcança-lo.

Era um rapaz comum, de modos comuns, vida comum, desejos comuns. Um rapaz ordinário, no sentido original da palavra. E era isso o que perturbava o grande deus do tempo, pois a garota de comum, nada possuía. E ele a queria.

Cronus tentou mata-lo, por diversas vezes ele tentou. Mas algo além do tempo o impedia. Não, não era nada disso de amor e essas baboseiras filosóficas, era algo profundo, vindo do caos. A vida do guri estava salva, e Cronus soube que nada poderia fazer a esse respeito.

A garota, entretanto, não estava longe o suficiente das garras do tempo. Foi agarrada e arremessada como uma boneca de pano. Transformou-se em nada mais do que um fantoche nas mãos hábeis do deus.
Ele, com todo o sentimento que uma divindade pode sentir, feriu o garoto. Estilhaçou sua mente e partiu sua alma. O corpo intacto, nada mais do que uma casca vazia.

Isso o marcou com a aura da morte. Cronus, adentrou seu pensamento e deixou escorrer o seu poder.
Eras foram envelhecidas em instantes, e os olhos do rapaz se tornaram opacos. Verdades, mentiras, metades, guerras, mortes, vidas, o infinito e a eternidade, o Alpha e o Ômega.

O podre e ordinário rapaz se tornou o próprio conhecimento. O tiro pela culatra do tempo.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Apenas palavras


E nada mais que isso, não é?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ele acorda

Ele acorda. Sempre na primeira vez que o despertador toca. Por vezes, até mesmo antes.

Ele tem a sua rotina, ah, já a muitos anos. Vai para o banheiro, banha-se, volta para o quarto, veste-se, pega sua grande maleta cinza e vai trabalhar.
Não come nada em casa, não gosta de preparar nada pela manhã, mas cozinha bem. Compra um café no bar da esquina e algo para comer, que varia de acordo com o dia.

Continua andando, não tem carro, tampouco gosta do ônibus durante os horários de pico. Seus sapatos são bem cuidados, pretos. Usava também óculos pretos, em contraste com sua tez clara.
Antes de entrar no prédio onde iria trabalhar, comprou mais um café, tomou, e então continuou seu caminho.

Subiu pelo prédio, trabalhava no alto, e era um prédio alto. Quando chegou, tirou seu material de sua grande maleta cinza e se pôs a fazer o que devia ser feito.

Terminou tudo com uma velocidade espantante para um dia quente como aquele. Desceu o prédio, comprou um jornal na banca e percebeu o aglomerado de pessoas na praça à sua frente.
Imaginou alguém morto ali, e as pessoas, como corvos famintos ao seu redor. Morreu com um tiro, na cabeça, caso o tiro tenha sido certeiro.

Volta para casa, banha-se novamente. Limpa os seus sapatos pretos. Guarda com cuidado a sua grande maleta cinza. Coloca alguma música clássica no aparelho de som e então senta-se em sua poltrona para ler o jornal.
Sempre fazia isso, a música clássica o ajudava em concentrar-se no que estivesse lendo. A última coisa que lia eram os obituários, nunca se sabe quem pode-se encontrar neles.

Alguém toca a sua campainha, ele não se importa em olhar quem era. Morava em um apartamento, último andar, sem elevador. A mulher subiu todos os oito andares. Pois sim, era uma mulher.
Ele abriu a porta, ela entrou. A música na sala já era outra, contemporânea. Sentaram-se, conversaram durante algum tempo.
Foram para a cama, e depois ela foi embora.

E no dia seguinte haveria mais trabalho, como sempre.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Início do processo descriativo


"Esse é o melhor conto que já criei." pensava satisfeito aquele jovem escritor.
Pensamento que logo se esvaiu com a pequena revelação que lhe ocorreu.
"Mas que droga, esta minha personagem está completamente igual a Duda. E é bem provável que ela acabe lendo este conto. Vai acabar achando que eu escrevi por causa dela, e pior, vai achar que a personagem se deu mal na história por eu guardar algum ressentimento dela."
A história não faria o mesmo sentido se a personagem fosse outra, ou se o final acabasse diferente. Decidiu engavetar a história, era melhor do que um mal entendido assim. Ele gostava da Duda, mas não deram certo junto, e suas conversas andavam cada vez mais escassas.
Começou outro conto, tentou manter os personagens longe de qualquer pessoa. Fez três novos contos, porém o único do qual gostara novamente um personagem que poderia lhe trazer algum mal entendido.
Desistiu de escrever naquele dia, e no dia seguinte preferiu arejar a cabeça, mas não adiantou. Passou o tempo e cada vez que conseguia pensar em algo o que escrever (pois já nem se dava mais ao trabalho de fazer isso) e a história parecesse ter algum futuro sempre trancava a idéia por medo de algum mal entendido.
E assim foi, sem escrever, sem ser lido, sem mal entendido, sem nada.

E foi então que os demônios apareceram.
Não esses demônios bíblicos, nem nada do tipo, mas sim em sua mente, medos, desespero, fracasso, ódio. Este pobre jovem escritor.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

We All Want to Be Young



Vejam.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Conversas em um Pub qualquer

- Deus me salvou ontem cara, desci do ônibus e logo depois ele foi assaltado.
- Sério que deus fez isso cara?
- Claro que sim, faço minhas obrigações na igreja toda a semana, pago o dízimo. É obrigação dEle me ajudar, está escrito.
- Ô Furlan, alcança um guardanapo aí.
- IIhh, to vendo que isso vai dar merda, toma aí.
[rabisca, rabisca]
- Lê aí.
- "Eu sou um idiota por acreditar em deus." Rá, rá. Vamos ver isso na hora do juízo final.
- Sim, sim, claro. Mas me di uma coisa, por que teu deus não salvou aquelas outras pessoas no ôibus do assalto?
- Não sei, os caminhos de Deus não são do nosso conhecimento.
- Bosta, é isso que eu digo. Deus não existe.
- Deus é a cura para nossos males!
- Oras, para isso basta ir ao médico. A Ciência é a cura.
- A ciência tenta imitar Deus.
- A Ciência é deus!
- Ah é, é? Se a tua ciência é tão poderosa, por que não te fez com uma cara mais bonita?
- Ah, vai pro inferno!
- Inferno? Que inferno? Existe inferno na ciência?
- Tu sabe bem que isso é só uma forma de expressão. E aliás, tu acredita em inferno, então pra ti vale.
- Garotos, garotos, não briguem.
- E tu Furlan, acredita em qual deus?
- Eu? Nenhum não.
- Ah rá. Viu, mais um ateu.
- Não sou ateu.
- Como não é ateu e não acredita em Deus?
- Não sendo, oras.
- Explique.
- Devolve o guardanapo.
[rabisca, rabisca]
- Não falo mais sobre isso.
- "A fé, seja em Deus ou nos homens, quando absoluta é idiota e ilógica. Por que se firmar em certezas quando a beleza da dúvida paira no ar?"
Olham-se enquanto Furlan pisca e sorri para uma moça passando próxima de sua mesa.
- Viu a nova do PT?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre cordeiros e leões

"And when they seek to oppress you
And when they try to destroy you,
Rise and Rise again and again
Like The Phoenix from the ashes
Until the Lambs have become Lions
and the Rule of Darkness is no more"
Maitreya

Levante-se logo seu cordeiro burro, e pare de brincar na relva.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como compreendo a verdade

COMO COMPREENDO A VERDADE
por John Chambers

"Eu te mostrarei o medo num punhado de pó."
— T. S. "BUTCH" ELIOT
"Primeiro pensei: ele mentiu a cada sentença."
— ROBERT "SUNDANCE" BROWNING

O pistoleiro é a verdade.
Roland é a verdade.
O Prisioneiro é a verdade.
A Dama das Sombras é a verdade.
O Prisioneiro e a Dama são casados. Essa é a verdade.
O posto de parada é a verdade.
O Demônio Falante é a verdade.
Nós fomos para baixo das montanhas e essa é a verdade.
Havia monstros embaixo da montanha. Essa é a verdade.
Um deles tinha uma bomba de gás entre as pernas e fingia que era seu pênis. Essa é a
verdade.
Roland me deixou morrer. Essa é a verdade. Eu ainda o amo. Essa é a verdade.

Quando é que uma porta não ê uma porta? Quando ê umbral, e essa é a verdade.
Blaine é a verdade.
Blaine é a verdade.
O que tem quatro rodas e voa? Um caminhão de lixo, e essa é a verdade.
Blaine é a verdade.
É preciso vigiar Blaine o tempo todo. Blaine é um saco, e essa é a verdade.
Tenho toda certeza de que Blaine é perigoso, e essa é a verdade.
O que é que é todo preto, branco e vermelho? Uma zebra envergonhada, e essa é a
verdade.
Eu quero voltar e essa é a verdade.
Eu preciso voltar e essa é a verdade.
Vou enlouquecer se não voltar e essa é a verdade.
Não posso voltar para casa de novo se não encontrar uma pedra uma rosa uma porta e
essa é a verdade.
Chuu-Chuu, e essa é a verdade.
Chuu-Chuu, e essa é a verdade.
Chuu-Chuu. Chuu-Chuu. Chuu-Chuu.
Chuu-Chuu. Chuu-Chuu. Chuu-Chuu. Chuu-Chuu.
Estou com medo. Essa é a verdade.
Chuu-Chuu.


[King, Stephen
As terras devastadas / Stephen King, tradução de Alda Porto. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2005
526 p. (A torre negra, v.3) ISBN 85-7302-669-3
Tradução de : The Waste lands]

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ele corre pela alameda.

Ele corre pela alameda.
Mas porquê é ele a correr? Não podiam colocar outro? Isso é preconceito, garanto que está correndo da polícia, né? Eu sei que tu não disse nada que pudesse ser ligado a algo preconceito, mas eu sei ler nas entrelinhas, oras. Mude isso.

O outro estava correndo pela alameda, e não estava fugindo da polícia.
Mas afinal por que ele estava correndo? Não podia ser outra coisa? Que tal pular? Pular é um bom verbo. Como assim vai ficar gay? Isso é preconceito, não pode, coloca pular AGORA. O que? Hum... OK, pode ser saltando então.

O outro estava saltando pela alameda, e não estava fugindo da polícia, nem saltando de maneira fresca.
Hey, quem mandou colocar esse treco de fresco aí no meio? Eu sei que tu é o autor, mas não me importo. Não vai mudar? OK então. Mas me explica, o que é uma alameda?

O outro estava saltando pela feira, e não estava fugindo da polícia, nem saltando de maneira fresca.
Peraí, por que tu mudou alameda para feira? Hahaha, não vai me dizer que tu colocou a palavra, mas nem sabia o significado? Cara, tu é mesmo um otário.

Eu defenestro o comentarista.
... O que é defenestrar? HEY, ME LARGA, SAI DE PERTO DESTA JANELA.
POOOOOOooorraaa.........

Ele corre pela alameda.

sábado, 7 de maio de 2011

Fango - Jovanotti [Traduzido]

Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho

Debaixo de um céu de estrelas e de satélites
Entre culpados vítimas e supersticiosos
Um cão ladra para a lua
Um homem olha a sua mão
Parece aquela de seu pai
Quando era menino
Lhe agarrava como nada e o levantava para cima
Era belo o panorama visto do alto
Se atirava sobre as coisas sem pensar
Sua mão era pequena mas agarrava o mundo
Agora a cidade é um filme estrangeiro sem legenda
As escadas da subida são escorregadias,escor, esco
O gelo sobre as coisas
A televisão diz que as estradas são perigosas
Mas o unico perigo que sinto realmente
É aquele de não conseguir mais sentir nada
O perfume das flores ,os odores da cidade
O som das lambretas o sabor da pizza.
As lágrimas de uma mãe as idéias de um estudante
Os cruzamentos possiveis de um praça
De estar com as antenas erguidas na direção do céu
Eu sei que não estou sozinho

Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
E rio e choro e me misturo com o céu e com a lama
Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
E rio e choro e me misturo com o céu e a lama.

A cidade é um filme estrangeiro sem legenda
Uma panela que cozinha pedaços de diálogos
Como estás, quanto custa,que horas são
O que acontece,o que se diz,no que se crê
E então se vê
Aí se sente só parte de um alvo
E torna-se um pesteado quando faz um erro
Um cartaz de seis metros diz tudo está ao teu redor
Mas tu olhas ao redor e ao contrário não tem nada.
Um mundo velho que está junto só grato aquele que
Têm ainda a coragem de apaixonar-se
E uma música que bombeia sangue nas veias
E que faz vir a vontade de acordar-se e de levantar-se
Pare de lamentar-se
Que o único perigo que sente realmente
É aquele de não conseguir mais sentir nada
De não conseguir mais sentir nada.
O bater de um coração dentro do peito
A paixão que faz crescer um projeto
O apetite a sede a evolução atual
A energia que desencadeia-se em um contato

Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
E sorrio e choro e me misturo com o céu e com a lama
Eu sei que não estou sozinho
Mesmo quando estou sozinho
Eu sei que não estou sozinho
E rio e choro e me misturo com o céu e a lama

E me misturo com o céu e com a lama
E me misturo com o céu e com a lama

Letra original. [italiano]

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Adele


Adele Laurie Blue Adkins, ou simplismente Adele, é uma cantora inglesa de soul e jazz. Nasceu em 5 de maio de 1988. Enjoy.




Site da cantora: http://www.adele.tv/

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Christmas tales - pt. 1

Tudo o que ele queria era encontrar aquela atriz que fez o teatro inteiro parar quando ele a viu no palco.

"Ela estava de peruca, esqueça, tu nunca mais vai vê-la, vamos embora, está tarde." Gritava seu lado consciente.
Mas ele ficou. Ficou, e não a encontrou entre os atores que saiam em grupos do local.

Ele não queria ir embora, mas em breve o metrô fecharia. Estava escuro, e não tinha companhia para voltar, olhava para todos os lados em busca de qualquer movimento suspeito. Lembrava das vezes que já havia sido assaltado, e não estava nem um pouco ansioso para repetir a experiência.
Chegou cedo na estação, foi para a plataforma comprando um pão de queijo no caminho. Comprou um café também, expresso, duplo.
Faltava meia hora para o último trem, e a noite estava fria. Sua idéia original era pegar o primeiro aparecesse, mas ao ver que todos os vagões lotariam resolveu deixar o primeiro ir e depois tentar pegar um lugar para sentar no próximo que passasse.
Algumas pessoas tiveram a mesma idéia e uma dúzia de pessoas tentavam se aquecer durante a espera. Não apareceram muitas outras pessoas.
"Ótimo, pelo menos uma coisa dá certo hoje."

Terminou seu café, e comprou outro logo antes de entrar no vagão. Só mais três pessoas nele. Fechou a janela que algum descuidado devia ter deixado aberta, sentou-se e colocou os pés no banco da frente, perpendicular ao seu.
Fechou seus olhos por um instante, apenas para abrir ao som de alguém correndo, não olhou e fechou novamente. Os passos diminuiram o ritmo ao entrar no vagão, andaram calmamente até que pararam, e alguém sentou do seu lado. Ele suspirou, "de tantos lugares vagos alguém escolhe pra sentar do meu lado? Só pode ser um chto."

Ele olha, e como não podia ser diferente, lá estava a atriz. Ele se apressa para sentar corretamente, quase derramando o café em si mesmo.
- Oi, lembra de mim?
Ele piscou várias vezes, se certificando que não estava sonhando, ela o olhava curiosa.
- Lembro, claro, tu...  tu tava linda na peça hoje.
- Tu me viu na peça? Nossa, e gostou?
"Peraí, ela deve estar me confundindo com alguém, como eu não lembraria de conhecê-la?"
- Adorei, não que eu tenha prestado muita atenção depois que tu apareceu. Haha
Ela revirou os olhos e sorriu.
- Tu me deu um número falso né? Não que eu tenha ficado surpresa.
"Ela me conhece mesmo então"
- Eu perdi o meu número faz pouco tempo, estou com um novo agora. Tentei espalhar este por aí...
- Bem conveniente isso não?
Ela sorriu para ele e piscou algumas vezes.
- Acho que vou sentar em outro lugar.
- Não! Não faça isso, é verdade.
Ela o encarou por alguns momentos, depois relaxou no local.
- Hum, eu fico pelo preço de um café.
- Isso é maldade.
- Eu sei.
Ele passou o café para ela, e ela tomou um gole sossegadamente.
- Mas admita que é estranho, nos conhecemos, abro meu coração e minha vida, teu celular aparentemente sem bateria, e depois um número que não funciona. Não que eu achasse que ser uma ajudante de papai noel de cara pintada me fosse trazer algum gatinho...
Algum ouvinte mais atento conseguiria distinguir o som da ficha caindo na cabeça dele.

Poucas semanas atrás ele havia encontrado uma ajudande de papai noel discutindo com alguém em uma calçada pouco movimentada no centro. Era uma bela garota, apesar da pintura, e o rapaz parecia um tanto fora de controle. Quando foi passar por eles o rapaz levantou a mão, se era para bater nela ou apenas ameaçar nunca se ficou sabendo, e no momento em fez isso sua testa foi acertada.
O rapaz foi pego pela surpresa de acerta algo inesperado, olhou atônito para o lado e o encontrou abrindo os olhos em sua direção. Olhos frios.
- Vai!
O rapaz ouviu a ordem, e continuou encarando o sujeito à sua frente, o medindo. Não pareceu achar que fosse algum real desafio.
Então de súbito sentiu algo apertar sua garganta e o pressionar contra a parede, e os mesmos olhos frios o encarando.
-Eu acho que disse para ir.
Ele ainda tentou reagir, apenas para sentir o aperto aumentar e um joelho encontrar-se com seu estômago, de leve, apenas um aviso.
- Quer mesmo tentar a sorte?
Em um instante ele estava solto. Praguejou baixinho, encarou aqueles olhos por um instante e sentiu uma enorme necessidade de olhar para outro lugar. Resolveu então fitar a moça com quem discutia, mas então sua visão foi interrompida pelos mesmos olhar que não conseguia encarar. Pressionou os dentes, fechou os olhos, e então subiu na sua moto e se foi.
- Tudo bem?
Ele se virou para ela, e então logo depois estavam tomando café em um pub próximo. Falaram da vida, e encerraram com um beijo quando ela teve que voltar ao trabalho.

Ele sorriu, depois olhou confuso para ela.
- Não te vi mais ajudando o papai noel...
- Ah, culpa minha, devia ter avisado que era algo provisório. Como consegui uma vaga na peça, pedi as contas lá.
- Humm... Mudou cabelo também.
- Aham, gostou?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Existe em toda abertura de anime.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Antes da morte, antes da vida.

Fui acorrentado. Mãos e pés presos, sem força. Fui deixado lá, esquecido, sofrendo.
Surge um carrasco, me surra, e a cada golpe desfiro xingamentos.
Eis que silencio, uma lágrima de sangue rola.
Ele sorri, dá mais um golpe.
Levanta meu rosto com uma mão, e eu guspo em sua cara.

[eu sei que é cuspo, e daí?]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Captain! My Captain!


O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
            But O heart! heart heart!                                                                                          5
                        O the bleeding drops of red,
                                   Where on the deck my Captain lies,
                                               Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells,
Rise up – for you the flag is flung – for you the bugle trills,                                                    10
For you bouquets and ribbon’d wreaths – for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
            Here Captain! dear father!
                        This arm beneath your head!
                                   It is some dream that on the deck,                                                    15
                                               You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;                                                   20
            Exult O shores, and ring O bells!
                        But I with mournful tread,
                                   Walk the deck my Captain lies,
                                               Fallen cold and dead.
Walt Whitman


Weather (v): to come safely through a difficult period.
Rack (n): great pain.
Keel (n): a structure made of wood or steel along the bottom of a ship, on which the framework is built.
Vessel (n): (a large) ship.
Grim (adj): very serious in appearance.
Bugle (n): musical instrument like a small trumpet.
Ribbon’d wreath (n): an arrangement of flowers and leaves twisted into a circle. In this case, decorated with strips.
A-crowding (v): becoming crowded.
Swaying (adj): moving from side to side.
Safe and sound (idiom): not damaged.
Tread (n): step.