E eu tento me derrotar pelo cansaço. Pela dor.
Dor na mente e no corpo. Não durmo além de leves cochilos por dois dias seguidos. Não é muito, isso é lá verdade, mas tanto meu corpo como a minha mente andam deficientes. Como aqueles aparelhos com que começam a dar erro, precisa zerar a bateria para ele resetar e então carrega-la novamente.
Sinto falta de conversar com algumas pessoas, e ainda assim nada faço. Eu não era tão orgulhoso, não em relação a pessoas queridas. Me sinto tentando encaixar uma peça estranha em um quebra-cabeça pela metade.
Então escrevo. Uso o melhor meio de ligação que possuo comigo mesmo, e com meus eus.
Busco a resposta para a pergunta desconhecida. E apesar de conseguir reconhecer a falta de senso nisso, é inevitável.
Inevitável como as melhores e piores coisas.
Como o passado que assombra o futuro e assusta o presente. Como o olá não dito e o adeus em gritos.
Quem sou eu pra mudar isso? Mero criador de mundos. Não há mundo possível de mudar o passado. O tempo sempre é mais forte e não pode ser dobrado sob os nossos futeis desejos.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Sincronia
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Melodia
"Mando o foda-se?
Faz tempo que tem gente pedindo por isso, pedindo para receber umas verdades na cara, um tapa da sociedade.
Mas eu estou com sono.
Sim, sim, eu sei, e o sono suga o principal da raiva e da energia necessária para fazê-la funcionar, é uma pena.
É?
É sim.
Nem tanto.
Verdade.
Do que queria falar?
De gente que não aceita que as coisas não funcionem da forma que eles esperam.
Mas não sou assim também?
Sou, mas apenas em parte. Trabalho na lei da reciprocidade, se dou algo, espero receber algo equivalente em retorno.
Nem sempre isso acontece.
Eu sei, tento aprender a conviver com isso.
Eu também.
Mas então?
Então? Então que me cansa que esperem coisas que não posso fazer e nem ao menos me dão algo, ou a promessa de algo, em primeiro lugar.
Ou seja, faça isso porque eu pedi. É isso?
Basicamente.
Não é uma atitude muito inteligente.
Na verdade é. Só depende de quem é o alvo dessa atitude. Este tipo de comportamento pouco ou nenhum efeito tem em mim.
Já teve.
E com o tempo aprendi a reconhecê-lo e evitá-lo.
Ele e tantos outros.
E o que mais?
Tudo.
Amplo demais.
A mente não possui limites.
Ah, sim, possui.
Podem ser quebrados.
Como?
Da forma correta.
E qual a forma correta?
Tudo ao seu tempo.
... e isso foi a resposta ou um adiamento?
Ambos."
E afasto a caneta do papel, já preenchido por alguns riscos negros. Onde três mascarás sem expressões ficarão por sua breve eternidade.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
O que já morreu não pode ser morto
Há também grandes problemas com pessoas ao redor, sempre há.
E há lembranças. Das boas, das neutras, das arrasadoras... pois não há lembrança que seja ruim de verdade.
Há aquela boa lembrança de quando um dia um venerável mestre me ensinou que meus olhos podiam mostrar bem mais do que a mascará que eu pousava sobre eles, quando se olha com atenção.
Passa de relance aquela fagulha neutra de memória de pessoas que se autodestruíam enquanto eu, mas não apenas eu, lhes estendia a mão. De alguma forma é sempre tarde demais para elas.
E então, dançando ao ritmo da melodia ela vem, linda, magnífica, fazendo tremer a mais prepotente das mentes. Ela vem e entre um sorriso luminoso me pergunta como tenho passado.
Os olhos se fecham na esperança fútil de tudo acabar. Um dia funcionou, ou quase isso.
Mas ela cobra sacrifícios, desde que nasceu [sob outras músicas não tão belas], e veio cobrá-los novamente.
E então algo queimou.
Não queimou forte, não criou muita luz, fraquejou e quase sumiu.
E em cada lado do par de olhos que se fechou, um se abriu. Desumanos, cansados, furiosos e famintos.
Olham entre si, esperando.
E os primeiros olhos se abrem, ainda humanos, como um pedido de desculpas.
Ela sussurra que já era tarde. Passa o olhar para os outros olhos, vê o brilho deles, sente o calor ainda fraco que emana deles e some.
E do eco da escuridão ela canta a sua própria melodia, como lembrança e aviso, que aquela sombra a ela pertence.
E um corpo prestes a cair é levantado por seus próprios demônios, e seus rosnados perduram através da eternidade no florescer de uma nova rosa.
sábado, 20 de outubro de 2012
OI OI OI
Engraçado que o povo aí que está reclamando da novela é o primeiro a narrar jogos de futebol nas redes sociais. Por que diabos uma pessoa que assiste a qualquer coisa dessas não pode acompanhar o mensalão, o Cachoeira, eleições também? Ou quando essas o fazem, apareceu um Lula proibindo de fazê-lo?
Ah, assistir aquela série ou filmes não é a mesma coisa? Hipócritas. Ou vão dizer que passam o dia inteiro na porta da câmara de vereadores, no gabinete do prefeito ou assistindo à TV Senado? Poupem-me.
Já reclamei desse país, não nego. Mas soube admitir que está melhor. E vai melhorar.
Reclamam pelo prazer de reclamar.
Falam tão mal do Brasil, mas eu não os vejo fazendo porra alguma para melhorar.
Garanto que ajudar alguém não são capazes. É comodismo de esperar que os outros façam algo. Aí jogam essa responsabilidade para quem está fazendo algo que julgam errado para aliviar a própria culpa.
Reclamam de quem está comentando novela ou o caramba nas redes sociais. Mas não sabem nem que foi o primeiro presidente do Brasil. E não é porque o cara gosta da bendita novela que não possa saber mais que vocês, idiotas.
E quer saber, OI OI OI BRASIL!
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O fim sem fim.
Então é assim que tudo acaba.
Demorou para chegar, esse final. Ou, mais provavelmente, eu me negava a aceitá-lo. Adoro renovar, recomeçar do zero, entretanto fins absolutos nunca me agradaram.
Acabou um estado de espírito que nunca voltará. Acabou o viva e deixe viver, ou morrer. Acabou o cômodo estar quieto no próprio canto. Ah, e como ser assim foi tão bom por algum tempo. Não apenas prazeroso, necessário.
Houve momentos, nessa pobre e breve vida, em que ou a raiva, ou a dor, ou o amor, ou a paixão, ou... Bem, vocês entenderam, extremos... quase tomaram as rédeas, aqueles momentos em que cometemos os maiores erros.
Poder se desligar de tudo nessas horas, focar em outra coisa, me ajudou e muito. Porém tudo possui um preço, e esse estava se tornando alto demais para que eu pudesse pagar. Meu senso crítico. Não, não que ele estivesse sumindo, nada disso. Ele estava sendo reprimido, abafado por um cada vez mais forte senso comum.
Com o tempo fui parando de escrever, desenhar, e o que fazia não tinha grande significado. Momentos filosóficos cada vez mais raros e os ecos dos vários eu-líricos enfraquecendo dia após dia.
Mas estava tão bom, tão cômodo.
Das vezes que tentava terminar isso, sempre mantinha um pé atrás. Precaução sabe... Medo talvez. O mundo é grande e feio, e nunca saberemos o suficiente nele.
Ia correndo de sombra em sombra, vendo o sol e evitando ele. Sabendo do mundo e indo pelos cantos.
Mas evitar o sol pode deixar seus ossos fracos, e por mais forte que tu seja, ossos fracos te deixam frágil.
Não decidi por um fim. Não quis final. Desta vez, apenas o aceitei.
Ou isso, ou passar até o fim dias dias com o corpo coberto de gesso.
Já acumulei milhas demais para tantas raízes, e tão profundas. Agora é andar, sentir a grama nos pés, a chuva nos ombros e a lua e o sol no rosto.
Então é assim que tudo acaba...
domingo, 26 de agosto de 2012
A Chama e a Chuva
Sento no escuro, escuto a chuva cair lá fora.
Acendo meu isqueiro para ver sua pequena chama crescer em meio ao breu e iluminar o meio sorriso estampado no meu rosto.
E pensar, meu nobre isqueiro, que você será uma eterna lembrança de uma conquista que cheguei a imaginar intangível, inalcançável.
E tu, meu caro sorriso, que pela metade é sempre o mais sincero, lembrando de tudo e todos que tentaram te fazer sumir. Te abre um mínimo e por teus lábios escorre um fio de ar, trazendo novamente a escuridão ao meu redor.
A escuridão e o som da chuva. Tão belas, tão tristes. Magníficas em seus significados, em suas memórias tão belas e tristes quanto si mesmas. Aliás, por serem assim trazem consigo essas lembranças ou são as lembranças que te fazem serem assim?
Afinal, e mais importante, isso importa? Não, claro que não, é simplesmente assim.
Lembro de quando me desafiaram. De cada momento em que isso aconteceu, e de cada resposta que dei. Lembro das respostas ainda pendentes. Lembro do medo nos olhos de alguns, da coragem nos olhos de tantos, e da prepotência nos olhos de muitos.
Lembro das tolices, e da alegria vã.
Lembro dos saberes, e da tristeza infundada.
Lembro da decepção, e de como me deixei abalar inutilmente.
Lembro da esperança, e dos erros que ela traz consigo.
Lembro dos sabores, das cores, dos toques, e recordo que tudo é importante, na mesma proporção que nada é importante.
Ainda desejo tantas vinganças.
Acendo meu isqueiro, dou uma piscadela, e meu sorriso se abre anda mais.
Ainda desejo tão bem a quem nem sabe.
Aquela velha frase, que em algum lugar li [ou ouvi, não que isso importe], volta à memória, tão simples, tão fatal.
Já morri e nasci, tanto e tanto, era assim que vivia, eterna renovação, eterna mudança, tão pequenas, tão singelas, tão completas. Eternos zeros, eternos erros, eternos acertos.
Derrotei a imaginação, e a recriei. Tentei e errei, e isso, apenas isso me derrubou. Meus erros, dos teus eu sempre me livrei facilmente, recordas?
Já fui poeta, mas não faço poesia.
Já fui artista, mas minha arte nunca foi arte realmente.
Já fui amado, mas amor não existe.
Já amei. Oras, e quem nunca foi tolo?
Te apago, amigo isqueiro, e teu cheiro se mistura ao som da chuva e ao negrume dessa sala.
Eu tentei, meu bem, não eu, mas um outro eu que já morreu.
Morreu, morri, pois aquela simples frase sempre foi fatal, mesmo quando eu não a conhecia.
Afinal... não final... não há final além do ponto final.
Benvenuti a Roma
Como estava prometido faz algum tempo, aqui está o texto a respeito de como foi o intercâmbio à Roma depois do seu início desastroso. Depois editarei um vídeo, feito à sombra do Colosseo, falando sobre tudo também.
Enfim, em primeiro lugar o curso, afinal a maior parte da grana da viagem foi pra ele. Foi como devia ser, ótimo. Tive três professores diferentes, e só não combinei com o método de ensino de uma deles [por sinal a que eu tive aula por mais tempo]. A escola proporcionava algumas visitas guiadas para pontos de Roma e arredores, fui na maioria dos gratuitos, e em alguns pagos também.
A primeira das visitas guiadas foi para o Gueto Hebraico, uma das áreas mais belas de Roma e rica em história. Caso alguém possa pensar, o gueto não foi criado na época da Segunda Guerra, ele já existia muito antes disso. Outra visita que realmente impressiona é para Villa d'Este em Tivoli, cidade próxima a Roma. Lá há, além de uma bela villa, um jardim de águas, com chafarizes impulsionados apenas pela física e a força de três rios que cruzam a cidade. Se algum dia tiver a oportunidade, se faça esse favor e vá gastar algumas horas lá, vale cada segundo.
Também passeei bastante por conta própria e com o povo brasileiro. Subi até o alto da Basílica do Vaticano, desci até o fundo das catacumbas de São Calisto. Vi as belezas não tão impressionantes da Cappella Sistina, e a morbidez calmante das criptas dos monges cappuccinos. Andei por horas pelo Foro Romano e dei uma visitinha rápida pelo Campo dei Fiori [tinha um pessoal fazendo música lá, muito foda].
Roma é uma grandiosa cidade turística que não está preparada para o turísmo, ou talvez não dê a miníma, ou talvez prefira se manter conservadora. O fato é, não há muito o que fazer além de andar e comer. Baladas são raras [não que eu vá, mas é estranho não ter a opção], tudo fecha muito cedo, até os bares [e isso fez muita falta]. Ou seja, há muita falta de vida noturna, e quando se é turista e quer se divertir isso é frustrante. Se bem que, uma boa parte dos europeus não tem muito animo pra curtir a vida como nós, latino-americanos temos.
Conheci gente de tudo quanto é lado do mundo, flertei e me flertaram. Me embebedei e me embebedaram. Passei calor, muito, e uns mínimos dias frios pra me lembrar do meu amado estado. Cozinhei e errei o tempero. Andei pelado no apê. Falei besteira, fiz piada com os turistas, fingi ser nativo, matei aula, fiquei à toa em parques e praças, fui rude, fui todo sorrisos, fui filósofo e, o mais importante, fiz belas amizades.
Acho que esse texto fica por aqui, logo edito o texto e vocês podem ouvir um pouco mais sobre o dia a dia e curiosidades a respeito de Roma. Só não coloco-o agora porque no total é mais de meia hora, mas talvez coloque ele na íntegra em algum site e vocês olham de lá, se quiserem.
Ciao, miei belli.
PS: assim que a internet voltar, coloco algumas imagens aqui. (postando isso pelo celular)
quinta-feira, 21 de junho de 2012
E não era o vento à bater na porta.
domingo, 27 de maio de 2012
Rosas, pela Torre
Tempo... Tempo, tempo, tempo, tempo...
TEMPO, maldição, o tempo.
Com as rosas e com a Torre um ciclo se fechou, claro como o futuro em uma poça d'água, e um novo se abriu. Mas novos ciclos são complicados, pois nunca se sabe o que se esperar deles, e qual o melhor modo de os começar.
De nada adianta olhar para aqueles belos anos em que outrora havia felicidade. Novos ciclos são egoístas, querem liberdade, querem amor de verdade. Novos ciclos, famintos de fé, famintos de ouro e de pão. Famintos de DOR.
É como criar um título para uma história sem início, meio e fim.
Ele sobe na torre e para na frente de uma porta com seu nome escrito, e ele não quer atravessá-la. O caminho é longo demais, e a chegada final é breve demais. Não há recompensa final, a não ser a poeira nos seus pés surrados, o cabelo desfeito pelo vento e o rosto surrado pelo sol.
Depois de muito andar o corpo clama pelo descanso merecido, mas ele não existe, o caminho segue, ele volta ao princípio e o homem de preto continua.
Palavras, momentos. Vento e tempo. Olhar, sussurrar.
Palavras pequenas e um grande momento, assim foi o princípio dos tempos, assim é o princípio de todos os tempos e de todos os momentos, todos os ciclos e todas as vidas.
Vá ciclo, gire, que gire a roda, que rode o ka, que vire a maçaneta, e que abra a porta para um sem fim de caminhar.
Que venha a dor, venha meu amor, cansei de ser feliz.
domingo, 20 de maio de 2012
E o mundo fica sem mais um Gibb
Poderia facilmente fazer um texto imenso sobre tudo o que eles foram, sobre as décadas de sucesso e premiações que nenhuma outra banda alcançou. Poderia, mas não vou. Hoje morreu Robin Gibb, ele já estava mal fazia alguns anos, cancelou até seus shows aqui no Brasil em 2010 [show esse que eu já tinha comprado o ingresso].
É um dia triste para várias gerações. É um dia triste para a história da música, pois os Bee Gees influenciaram muito mais bandas e artistas por aí do que a maioria imagina.
So, stay alive.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Era uma vez um texto ruim sobre a falta de respeito.
Quem dera fosse apenas uma síndrome das redes sociais, tão populares e sempre em crescimento atualmente. O problema, infelizmente, é bem mais enraizado do que isso.
Esse mal que atinge todas as idades tem uma fonte similar em todos os seus níveis, em não aceitar o diferente.
Não basta o preconceito e o medo daquilo que é diferente de si, a moda agora é faltar com o respeito.
Seja pela pessoa ter um visual diferente do padrão, ou por exatamente ter um visual dentro do padrão; Seja pelo gosto musical, pela escolha de profissão, até pelos hobbies das pessoas elas estão sendo desrespeitadas.
As atitudes aceitas como normais pela maior parte da sociedade fazem que se crie uma hostilidade para quem se comporta de modo diferente, e essa minoria ao sentir essa hostilidade começa a agir do mesmo modo a respeito de quem lhes agride.
Não é mais permitido ser o que se é, seja lá o que for. Aliás, é sim permitido ser o que se é, proibido é falar a respeito disso, pois caso aconteça tu encontrarás quem te critique sem o menor motivo em qualquer esquina.
E claro, dentro a moda do desrespeito há sempre a onda da vez, que atualmente vem de um pessoal que eu sempre gostei, os ateus.
Sempre houve uma pequena guerra entre religiosos e ateus, por vezes agnósticos também. Mas sinceramente? Já passou do limite essa torração de paciência, dentro e fora do Facebook. Não entende que todos merecemos humanos? Entenda que todos merecem respeito. Ninguém está te pedindo pra gostar, ou pra aceitar, só respeitar.
Não, o texto não está bom, nem eu me acostumei com meu novo horário de trabalho, mas assim é como vai a vida.
sábado, 14 de abril de 2012
Mundos criados em folhas de papel
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Vidas velhas e conhecidas
Talvez alguns fins a mais, e outros tantos inícios. Ou um eterno meio.
E ele passeava por Porto Alegre. Não, não era aquela boêmia da cidade baixa. Tampouco pelos belos parques, do Farroupilha ao Jardim Botânico. Não caminhava pelo cais, nem pela orla do Guaíba. Não estava entre shoppings ou mesmo o Mercado Público. Não estava em nenhuma das casas de cultura, nem em museu algum.
Gostava de todos esses lugares, isso era certo, mas estava simplesmente andando por uma velha e conhecida rua, sob um belo céu nublado.
Nessa mesma rua encontrou um sebo, tão velho e conhecido quanto. Entrou, assim como os cheiros dos antigos livros lá dentro entrou em suas narinas. Acenou com a cabeça e disse oi ao também velho casal que trabalhava no caixa.
Começou a percorrer os corredores e as prateleiras.
Quantas belas velharias. Algumas até raras. Outras sem valor algum.
Mentalmente ia lembrando de cada uma das histórias que os livros lhe traziam. Guerras, conquistas, amores, romances, traições, loucuras, mistérios, alegrias, filosofias... ah, mundos e fundos, literalmente.
O subconsciente lhe transbordava de citações que sequer lembrava de um dia ter lido.
O consciente buscava algum livro de algum autor preferido.
De alguma caixa de som escondida começa uma música calma, mas bela. Fechou os olhos, sim, era Elvis.
Sorriu e voltou às prateleiras.
Sem motivo aparente olhou para a entrada do sebo. Tão velho e conhecido. E viu um casal, demorou-se alguns segundos os olhando e voltou para os livros ao alcance da sua mão.
Eles não queriam entrar, mas os amigos os empurraram para dentro. Cada um o olhou demoradamente.
O casal passou rapidamente por eles, e se ele os notou não deu sinal algum.
Os outros lhe cumprimentaram, um a um. E ele os respondia polidamente, sem nunca desconcentrar-se dos livros ou ao menos virar-se para olhá-los.
Aquele pequeno e estranho grupo o olhava desconfortável, enquanto ele parecia nem os notar. O provável era que estivessem desconfortáveis exatamente por causa disso.
No fim ele encontrou três livros dos quais estava procurando. E então foi falar com o velho casal do caixa. Conseguira alguns trocados de desconto, oras, melhor do que nada.
Ao sair do velho sebo, parou ao lado da vitrine, uma leve garoa caía lá fora e precisava proteger os livros.
Fazia isso e uma mão pousou no seu ombro, e uma voz lhe pedia para conversar. Conhecia a voz, conhecia a mão e conhecia melhor ainda a conversa.
Terminou de arrumar os livros e a mão continuava em seu ombro. Lentamente colocou sua mão entre ela.
O resto foi extremamente rápido, apesar de não parecer ter sido assim.
Ele apertou e torceu a mão. Ficou cara a cara com o dono dela, que começava a gritar por causa da dor. Ele sorri calmamente, diz não e segue pela velha e conhecida rua, deixando para trás alguns dedos deslocados na mão de alguém.
O infinito não tem início ou fim, é um eterno meio.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Caverna dos Dragões
quinta-feira, 29 de março de 2012
Textos de guardanapo
E textos de guardanapo precisam voltar a serem escritos, mais cedo ou mais tarde, em uma mesa de bar.
Sobre frases semi-aleatórias.
Não, não é que eu não perceba o seu intelecto.
Ele é lindo, intrigante e envolvente.
Sim, sei que prefere que seja reconhecida pelo teu pensamento.
Todos aqueles que realmente são interessantes são assim.
Pois imagem é só imagem, um dia se acaba.
Vá, voe, corre, brinque, pare, pule.
Vá e faça o que bem quiser, só sorria, e muito.
Pois teu sorriso enaltece a tua beleza.
E tua beleza reflete tua alma, bela que é.
quarta-feira, 28 de março de 2012
E a vida segue, vai e volta na roda do ka
A pergunta que bate na cabeça não é "o que falar", mas sim "por onde começar?". Afinal, muita coisa tem acontecido desde a última vez que escrevi algo honestamente aqui. Convenhamos, sou do tipo ótimo de mentiroso que sempre fala a verdade.
Comece do princípio, fala alguma voz. Mas o caso é que nem sei exatamente qual dos princípios ela se refere.
Como já falei em alguns textos, eu estava vazio. A casca daquilo que um dia tentei ser, e sem recheio algum. Talvez eu mesmo tenha procurado me tornar assim na expectativa da vida se tornar mais branda.
Sonho tolo. Quem uma vez experimenta o azedo do conhecimento, nunca mais consegue votar a ser o que era.
Nesse tempo vazio conheci muita gente interessante. Amei, ah se amei. Amo ainda, pois é assim que é.
Aliás, começo por aí, simples e direto. Meus três melhores dias até hoje foram os que passei no Rio de Janeiro [morram conterrâneos gaúchos que me chamam de traidor por isso] do lado da guria mais encantadora que já conheci. A senhorita Paula Borges. E não, não estamos mais juntos. Pois distância é uma droga que mata mais rapidamente que o ar, e torna pequenos problemas em grandes bolas de neve. É da vida, mas amo essa moça, de quem tive que me distanciar para aguentar a carência e a falta que eu estava sentindo.
Estando eu morrendo de carência e "vazio", como disse anteriormente, tive um outro caso. Que durou seis meses, mas sinceramente, se tornou um decepção. Sério, qualquer amizade ou relacionamento comigo deve ser baseado na confiança. A partir do momento em que alguém começa a mentir e enganar, se torna uma decepção.
Quem vive demais no seu próprio mundinho, perde tudo o que os outros tem a oferecer. Regra fundamental.
Aliás, abrindo um pequeno parentese, hoje me veio um bom pensamento, vamos ver se consigo reproduzi-lo bem aqui.
Não há um limite para o pensamento humano. Pois sempre há variáveis e conhecimentos que podemos aprender. O único limitador está em aceitar de onde esse conhecimento vem. Aí está a verdadeira humildade.
Alguém humilde não é aquele que se rebaixa e não admite suas qualidades de forma plena, mas naquele que reconhece que há algo para aprender em tudo, até na mais esdruxula das coisas, na menor das ações, no mais desprezível ser-humano. Sim há sempre algo a aprender, se estivermos dispostos a olhar e escutar de onde quer que venha o conhecimento.
Voltando a mim, nas últimas semanas algo ótimo está acontecendo. De alguma forma aquele vazio está se preenchendo. Tenho vários eu-líricos, e os sinto voltando depois de um longo tempo solitário. Sinto a imaginação fluir em formas diversas. Sinto ânimo em sentar e escrever um texto enorme, ou fazer um dos meus retratos à lápis.
Vai ver é o tal ano do Dragão, trazendo o bom e o ruim e doses absurdamente megalomaníacas.
Estou lendo mais, conhecendo mais gente, reconhecendo quem por algum motivo me afastei.
Ainda não me aproximei de todos que quero me reaproximar, às vezes a tarefa se torna mais complicada. Preciso estar pronto.
Aprendi a viver sozinho, aprendi a viver por fora. Tive uma infância fodida, tive um pai de bosta. Me preenchi de uma arrogância oculta para sobreviver nesse mundo, me cobri com uma soberba que achava justa, e escalei na torre de orgulho que eu mesmo contruí. Tenho história e tenho defeitos. Se isso me torna feio por dentro, que seja. Serei o feio honesto que sempre fui. Não mudei para as pessoas que mais amei, não vou mudar por aquelas que nada mudam na minha vida.
Vou ali ouvir um blues, vou tomar um café e vou dormir. Vou sonhar e não vou lembrar. Vou seguir no mundo, vou criar mundos e talvez destruir alguns.
Vou ser mais simpático, vou ser mais carinhoso, vou ser mais duro, vou ser mais cruel, vou ser mais protetor, vou ser tudo o mais e tudo o menos. Pois isso não é mudar, é se adaptar.
Vou lá viver a vida, onde quer que ela esteja.
domingo, 25 de março de 2012
Hoje.
Hoje eu vi uma estrela cadente.
Hoje eu tive uma enorme intuição.
Hoje eu falei com Cronus.
Hoje eu falei de mim.
Hoje eu curti a noite.
Hoje eu libertei a mente.
Hoje eu matei o acaso.
Hoje eu driblei o destino.
Hoje eu fechei o livro e marquei a página.
Hoje eu afaguei o cachorro e espantei as galinhas.
Hoje eu escrevi um conto e sonhei outros mil.
Hoje eu dei adeus à um passado que não se tornará história.
Hoje eu deixei o jornal de lado e li as notícias na poeira.
Hoje eu rodei o mundo.
Hoje eu deixei o dia acabar como um dia qualquer, pois é isso que ele foi.
terça-feira, 20 de março de 2012
E então me perguntam sobre o que é esse blog.
Esse blog, de certa forma, é o livro da minha vida.
E o que por acaso foi apagado daqui está no Recanto. Mas fora isso, cada texto, cada história, cada frase que eu coloquei aqui está impregnada da minha vida. Por vezes até tento evitar isso, e tudo o que escrevo vira uma bela porcaria. E de qualquer modo, sempre escapa algo pelas entrelinhas.
Aquela velha máxima "minha vida é um livro aberto', bem, no meu caso é um blog aberto. O que não quer dizer que alguém vá entender tudo, aliás, melhor que nem entenda.
Daí chegamos no presente em que eu estava desviando a mim mesmo de diversas coisas chatas, para não falar a respeito delas.
Então lembrei de algo, aliás reli algo.
"É perda de tempo culpar as pessoas por suas naturezas."
Então, que se foda. Minha natureza por vezes é chata, por vezes super-protetora, por vezes dinâmica. É sempre prepotente e arrogante [no sentido orgulhoso de ser]. Eu sei que sou assim e sei até onde consigo controlar isso.
Aprendi a me adaptar de muito murro que levei da vida. Aprendi a ver com os olhos dos outros e a aprendi a confiar na minha intuição.
Como diria De Lhandes: "Minha habilidade reside no fato de eu saber somar dois mais dois bem melhor do que eles. Ou, para ser mais preciso, sou capaz de somar um e meio a um e dois terços de tal forma que o resultado seja dez". [Shibumi, Trevanian]
Isso é prepotência e arrogância, mas está longe de ser mentira. Sim, às vezes uma incógnita da equação passa desapercebida por mais tempo, mas nada que não se revele no final.
Pessoas idiotas mentem pra mim porque acham que precisam disso, ou para se sentir espertas. Fazer o que?
Dessa gente só tenho um tipo de sentimento, pena. Dois, na verdade, pois também há o desprezo.
"Mas seu Mauro, tu está falando a respeito, então não está desprezando."
E então eu rio quando alguém pensa isso. Pois a vida é assim, não interessa teu sentimento ou a falta deles por alguém, volta e meia a pessoa aparece na tua frente e tu tem que saber lidar com isso, aliás, os dois tem que saberem lidar.
Agora é tarde e eu vou trabalhar. Melhor, pois não quero um post gigante hoje. Só dar um pequeno parágrafo para pensamentos voantes.





